Conecte-se conosco

Destaques

100 dias sem eventos: como a Covid-19 mudou o panorama do Turismo da região

25/06/2020 - 10h16min

Montagem com foto da Feira do Mel de 2019, e ontem, no mesmo Núcleo de Casas Enxaimel, em Ivoti

Região – Onde havia eventos, agora há solidão. Onde havia movimentação, o vazio. Há cem dias, a pandemia impede o turismo de florescer na região, como ocorre tradicionalmente todos os anos. Com o intuito de evitar aglomerações, alguns municípios têm investido em soluções alternativas para evitar o colapso do setor, e atrair a atenção do público mesmo à distância.

Em Ivoti, não ocorreram em 2020 as edições da Feira Colonial (duas vezes por mês), Feira de Páscoa, em abril, a Feira do Mel, Rosca e Nata, que ocorreria em maio, o Vem Pra Praça, no último dia 13 de junho, e já não deverá ocorrer em julho a Kolonistenfest. “Somente na Feira do Mel, são praticamente cem expositores”, diz a diretora de Turismo, Raiama Trenkel.

Segundo ela, o município perde em retorno financeiro e turístico, mas também perdem os produtores, já que muitos têm nas feiras a complementação da renda que podem garantir seu sustento. Pensando nesta mudança em razão da Covid-19, o Conselho de Turismo de Ivoti, com apoio da Prefeitura, criou o Ivoti Vai Até Você, no Instagram.

A página reúne produtores e empreendedores diversos de Ivoti que têm foco na exposição por meio do turismo de eventos. Até ontem, mais de 700 pessoas a seguiam. “Muita gente nos liga, perguntando onde adquirir determinado tempero, flor que vi na feira, e nós auxiliamos, repassando o contato dos expositores. A página ajuda neste sentido”, salienta Raiama.

Por ora, não é possível pensar em um retorno dos eventos, mas ela afirma que já havia um planejamento definido para 2020, e que as feiras futuras além das que estão canceladas podem ainda ocorrer. “Estamos estudando de que forma faremos a retomada gradual, embora estejamos em bandeira vermelha. É algo que modifica semana após semana”, comenta a diretora de Turismo.

Aflorr diz que ano de 2020 está “perdido”

Ivoti teria outro nome não fossem as flores, já que o nome do município vem do tupi-guarani, que significa “flor”. Elas embelezam diversos espaços da cidade, e movimentam a economia relacionada ao turismo. O presidente da Aflorr, Laerte Corrêa da Silva, afirma que a falta dos eventos representa um sério problema, já que o planejamento também estava pronto para 2020.

“Havia em torno de 5 mil vasinhos de cactus e suculentas para ser vendido o ano todo, se pudermos considerar três feiras por mês na região. Só para se ter uma ideia, neste ano, já perdemos doze feiras. São produtos que não vendemos. Em 30 anos que trabalho com floriculturas, nunca havia acontecido uma situação dessas conosco. Creio que este seja um ano perdido”, diz ele.

As plantas têm vida útil, portanto aquelas que não podem ser comercializadas acabam sendo jogadas fora. Mas a Aflorr se mexe, e tem feito ações no sentido de minimizar os impactos da pandemia, como uma feira de flores, todos os sábados à tarde, no espaço da Feira do Produtor, no Centro. “O mercado como um todo está desestruturado”, lamenta ele.

Na estufa de Yuuki, produção precisou ser descartada: “não valia a pena colher” (Créditos: Arquivo pessoal)

Produtor de flores teve prejuízo de R$ 400 mil

O produtor de flores Yuuki Ban, de Dois Irmãos, afirma que teve prejuízo de R$ 400 mil com a falta dos eventos em relação ao mesmo período do ano passado. Ele é um dos primeiros elos que sofrem com a crise, já que, se os comerciantes não podem vender, sua família não pode produzir. “Estamos tendo que parar de produzir flores, ou partir para outros mercados”, afirma ele.

Entre eles, a produção de alimentos para aproveitar a estrutura disponível. Conforme Yuuki, tudo para evitar a demissão de funcionários e até uma eventual falência. A especialidade dele são as flores de corte. “Acredito que o setor de eventos vai voltar a uma certa normalidade somente na metade do ano que vem, ou quando todo mundo estiver imunizado”.

“Acredito que o setor de eventos vai voltar a uma certa normalidade somente na metade do ano que vem”