BRASÍLIA – O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, se ubica por delante de su principal contendiente, Flávio Bolsonaro, com vistas à primeira rodada das eleições presidenciais de outubro, embora perca essa vantagem em um possível cenário de balotagem, segundo uma pesquisa publicada na segunda-feira pelo instituto Nexus.
O líder do Partido dos Trabalhadores conta com 39% das intenções de voto frente a 33% do representante da direita e filho do ex-mandatário Jair Bolsonaro.
Em terceiro lugar fica o outsider Augusto Cury, um psiquiatra que se apresenta como alternativa à polarização entre esquerda e direita e que surpreendeu ao crescer nove pontos em relação à pesquisa anterior do instituto, chegando a 11% das intenções de voto. A Cury o seguem o conservador Ronaldo Caiado, com 5%, o libertário Renan Santos, com 3%, e o direitista Romeu Zema, com 1%.
No Brasil, se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos válidos no primeiro turno, os dois candidatos mais votados passam para o segundo turno previsto para 25 de outubro. Em um eventual balotagem, Lula marcou 46% e Bolsonaro 45%, em empate técnico.
Contratado pelo banco BTG, a Nexus entrevistou 2005 pessoas e o resultado tem uma margem de erro de 2%.
De acordo com outra pesquisa revelada na segunda-feira, no entanto, o presidente brasileiro se imporia por uma margem de quase cinco pontos frente a Flávio em uma balotagem. Segundo a pesquisa publicada pela AtlasIntel/Bloomberg, Lula obteria 47,1% dos votos frente a 42,6% do filho do ex-presidente Bolsonaro.
Em um cenário de primeiro turno, segundo este levantamento, Lula lideraria com 43,4% dos votos, seguido de Bolsonaro com 33,7%, Cury com 7,8%, Santos com 7,6% e Caiado com 3,3%.
A AtlasIntel entrevistou 5014 pessoas entre o 25 e 30 de agosto, com uma margem de erro de 1 ponto percentual.
Flávio Bolsonaro em plena campanha
A menos de dois meses das eleições em que ele se enfrentará com o atual chefe do Executivo, Flávio Bolsonaro disparou no fim de semana contra Lula e ressaltou o modelo de mão firme do presidente salvadorenho, Nayib Bukele, em sua tentativa de capitalizar uma das principais preocupações dos eleitores, a insegurança.
O filho mais velho e herdeiro político do ex-presidente brasileiro deu discurso neste domingo ao classificar o modelo de combate ao crime do país centro-americano como “inspirador”, após uma reunião com o ministro de Segurança de Bukele, Gustavo Villatoro.
O encontro com Villatoro “nos inspira muito para que possamos implementar um plano muito eficaz e firme para defender os cidadãos, as vítimas e não os criminosos, como faz o governo atual”, disse Flávio Bolsonaro a jornalistas, após a reunião em São Paulo.
Bukele goza de altos níveis de popularidade em seu país por reduzir a taxa de homicídios a mínimos históricos, motivo pelo qual vários governos de direita têm buscado imitá-lo na Amér ica Latina.
O mandatário centro-americano tem conseguido “um dos maiores e mais eficazes resgates de soberania e de segurança pública”, disse Bolsonaro.
“Há poucos presos no Brasil, tem que haver mais. Só não há mais porque a legislação é branda. Por isso vamos criar mais de meio milhão de vagas em prisões”, antecipou o senador brasileiro.
Por outro lado, o candidato de direita denunciou na sexta-feira à Justiça o atual mandatário por divulgar dados supostamente falsos sobre a gestão econômica de seu pai, ao mando do país entre 2019 e 2022.
A denúncia apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral questiona declarações feitas por Lula durante uma entrevista à TV Globo, na qual afirmou que ao retornar ao poder em 2023 encontrou um déficit fiscal de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma economia que crescia por volta de 1%, números que Flávio considera falsos.
Em contrapartida, Flávio apresentou, perante o Tribunal Eleitoral, dados segundo os quais o governo de seu pai foi bem-sucedido, pelo menos em termos econômicos. A gestão de Bolsonaro fechou 2022, último ano de seu mandato, com superávit de 10 bilhões de dólares, equivalente a 0,6% do PIB, consignou Flávio.
Através da denúncia, Flávio busca defender o legado de seu pai ao mesmo tempo em que reforça seu próprio perfil de político comprometido com a disciplina fiscal, outro dos eixos de sua campanha.
O postulante de direita suele apresentarse con una tijera para simbolizar o corte de gastos excessivos. Estratégia que ficou exposta esta semana durante contatos com importantes representantes do mercado.
Flávio Bolsonaro se reuniu com a cúpula dos principais bancos privados, como são Itaú, Bradesco, Credit Suisse, e de bolsa de valores, diante de quem defendeu reformas econômicas e afirmou que, se vencer em outubro, não buscará um segundo mandato.