Essa medida representa um avanço nos esforços da empresa para produzir petróleo nesta área de grande sensibilidade ambiental, situada diante da costa amazônica do Brasil, pois os novos poços são fundamentais para determinar se a recente descoberta de petróleo pela Petrobras na região é viável comercialmente.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a descoberta de petróleo no mês passado. Deslocou-se ao estado setentrional do Amapá dias depois para qualificá-la como “um passaporte para o futuro deste país”.
A aposta da Petrobras em explorar a bacia de Foz do Amazonas, próxima à foz do rio Amazonas, suscitou um debate no interior do governo de Lula, no qual as preocupações ambientais se confrontam com o argumento da empresa de que precisa recompor suas reservas.
Se o campo petrolífero for economicamente viável, a produção poderia começar em um prazo de sete anos, segundo declarou a chefe da Petrobras, Magda Chambriard.
A bacia de Foz do Amazonas é geologicamente semelhante aos blocos da Guiana, onde a ExxonMobil está desenvolvendo enormes campos petrolíferos. A região faz parte da Margem Equatorial do Brasil, que a Petrobras considera sua fronteira de exploração mais promissora.
A decisão do Ibama, assinada na quinta-feira pelo diretor da agência, Jair Schmitt, exige que a Petrobras apresente um cronograma de perfuração atualizado no prazo de 30 dias a partir do recebimento da licença.
O documento também estabelece as condições que a Petrobras deve cumprir para manter a licença, entre elas a atualização da análise de riscos ambientais do projeto.
No início deste ano ocorreu um vazamento de fluido durante a perfuração do primeiro poço, o que gerou preocupação entre os grupos indígenas sobre o impacto que poderia ter um surto petrolífero em um estado que ainda está amplamente coberto pela floresta amazônica virgem.
(Relato de Fabio Teixeira; edição de Gabriel Araujo e Rod Nickel. Editado em espanhol por Natalia Ramos)