O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, exigiu nesta quinta-feira que se investigasse, sem blindagem de ninguém, um megaescândalo de corrupção que desencadeou uma crise no Supremo Tribunal Federal, com um de seus ministros apontado por outro como possível participante.
Um relatório policial publicado na terça-feira revelou mensagens de um banqueiro detido por uma gigantesca fraude financeira associadas a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, com o aparente objetivo de frear a investigação que pouco depois levou à sua prisão em novembro.
As mensagens vieram a público depois que outro ministro do STF, André Mendonça, ordenou que se rompesse o sigilo de sumário e esclarecesse se o destinatário era de fato o seu colega.
“É fundamental que se investigue a todos, doa a quem doer”, afirmou Lula no X sobre o chamado Caso Master, no qual se investigam ligações do banqueiro Daniel Vorcaro com figuras da política e da Justiça.
Em mais um capítulo da crise, Moraes pediu nesta quinta-feira que o tribunal investigue Mendonça por indícios de “improbidade”, “abuso de autoridade” e “favorecimento a determinados grupos políticos”.
Considerado uma das autoridades mais influentes do Brasil, Moraes conduziu o processo que, em 2025, levou à prisão o ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro (2019-2022), por uma tentativa de golpe de Estado.
Mendonça foi indicado por Bolsonaro ao STF.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, concedeu nesta quinta-feira um prazo de cinco dias a ambos e a outras autoridades para se manifestarem sobre uma decisão do Ministério Público que declarou nulo o pedido de Mendonça para investigar possíveis vínculos de Moraes com o banqueiro.
O Caso Master também atingiu Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, que enfrentará Lula nas eleições presidenciais de outubro.
A polícia está investigando transferências milionárias de Vorcaro para Bolsonaro que, segundo o candidato de direita, seriam usadas para financiar um filme sobre o pai dele.