Brasil: Flávio Bolsonaro, investigado por suposta corrupção; campanha em chamas

18 de setembro de 2026

A investigação da Polícia Federal sobre Flávio e sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por supostas fraudes da ordem de 10 bilhões de dólares, para financiar o filme “Dark Horse”, foi autorizada em julho pelo juiz André Mendonça.

A existência do processo permaneceu sob sigilo até hoje, quando a notícia provocou arrepios no mundo político e capturou o interesse da imprensa. Foi a notícia exclusiva do dia.

Na noite de quinta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, havia solicitado ao juiz instrutor Mendonça a abertura do inquérito.

A Polícia investiga o papel de Flávio na captação de até 134 milhões de reais, 24 milhões de dólares, possivelmente cedidos por Vorcaro para “Dark Horse”, um filme sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, preso cumprindo uma condenação por tentativa de golpe. Em maio, o site The Intercept divulgou uma gravação de Flávio, que reconheceu sua autenticidade, na qual ele solicita essa quantia a seu “irmão” Vorcaro, insinuando uma relação de confiança.

A Procuradoria sustenta que o candidato manteve interlocução direta com o banqueiro por meses, pelo menos em 2025, quando também ocorreu um encontro pessoal, na ocasião em que o financiador estava em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Essas informações repercutiram no âmbito judicial e político ao longo desta sexta-feira.

Foi assim que a Procuradoria pediu ao presidente do STF, Fachin, que ampliasse o alcance da quebra de sigilo, demanda acolhida por ele, que no início da tarde concedeu 24 horas a Mendonça para tornar pública praticamente toda a investigação sobre “Dark Horse”, excetuando apenas as informações que possam afetar a continuidade do trabalho judicial e policial.

Do ponto de vista político, a remoção de qualquer restrição ao processo é algo que, paradoxalmente, coloca Lula, o presidente e candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores, no mesmo lado de seu principal rival Bolsonaro, do Partido Liberal.

O governante havia reiterado na noite de quinta-feira em Brasília seu propósito de abrir totalmente as informações e levar a investigação a fundo, “doa a quem doer”.

Praticamente o mesmo disse hoje Bolsonaro, em turnê de campanha pela região amazônica.

Em coletiva de imprensa, Flávio dirigiu-se ao juiz André Mendonça e propôs que “retire todo o sigilo, revele tudo ao povo”. Além disso, elogiou a atitude do magistrado.

“Para mim, o melhor que pode acontecer é que haja transparência total”, disse ele, acrescentando ter recebido “com muita tranquilidade” a notícia de que está sendo investigado.

Enquanto isso, dos Estados Unidos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e filho do presidente Jair Bolsonaro, adotou um tom mais contundente.

Ele acusou os investigadores de tentar “repetir o modus operandi que já lhes saiu bem contra Jair Bolsonaro”, referindo-se ao processo que terminou com a condenação de seu pai, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

“São uns canalhas”, afirmou o ex-deputado federal mais votado da história do Brasil.

Eduardo também está incluído nas investigações sobre “Dark Horse”, apontado como quem administrou o dinheiro supostamente aportado por Vorcaro em um fundo criado no Texas, onde vive com a esposa e os filhos há mais de um ano.

Eduardo também criticou o procurador-geral Paulo Gonet.

“Gonet, não seja hipócrita, mostre-nos seus vai-e-vens. Qual foi a contrapartida que recebeu?”, afirmou o irmão do candidato Flávio Bolsonaro, que recebe apoio internacional, e com quem tem feito visitas a diversos mandatários desde o começo de 2026.

Em outro extremo político, fontes do partido de Lula adiantaram hoje que a investigação contra Flávio possivelmente será tema da propaganda eleitoral nos próximos dias.

Paralelamente, a crise promete acrescentar novos capítulos.

Primeiro, com o quase total levantamento do véu sobre a investigação de Flávio, e depois com a sessão da próxima terça-feira no Supremo Tribunal.

Nessa audiência será tratado esse tema e também a situação do famoso juiz Alexandre de Moraes, que, segundo documentos revelados nesta semana por seu colega André Mendonça, manteve uma relação próxima com o banqueiro Vorcaro, de quem teria recebido uma série de favores chamativos. Como um contrato de 131 milhões de reais, perto de 24 milhões de dólares, para a esposa dele, a advogada Viviane Barci.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.