Trump ameaça denunciar ao regulador de licenças uma jornalista da NBC por criticar seus apoios políticos

20 de setembro de 2026

WASHINGTON.– O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou neste domingo processar junto à Comissão Federal de Comunicações (FCC) a jornalista da NBC Kristen Welker, após a apresentadora classificar como “mistos” os resultados dos candidatos apoiados pelo chefe de Estado nas primárias republicanas.

Trump acusou Welker, apresentadora do programa Meet the Press, de veicular uma “inexatidão deliberada” e disse que seria denunciada à FCC para que fosse “repreendida ou sancionada”.

“Como é possível que alguém que trabalha para o uso gratuito do espectro de rádio público possa dizer isso?”, escreveu Trump, referindo-se às frequências utilizadas pelas emissoras de televisão.

O presidente também voltou a questionar a cobertura da imprensa e, em outra publicação, criticou as que chamou de “pesquisas falsas” e pediu que “algo fosse feito”, para então acrescentar: “A FCC ao resgate!”.

As declarações representam uma das tentativas mais explícitas de Trump de usar a comissão para pressionar meios de comunicação cuja cobertura lhe é desfavorável.

Trump criticou reiteradamente a jornalista nos últimos dois anos, embora tenha lhe concedido várias entrevistas. Em junho, interrompeu abruptamente uma conversa com ela depois que a questionou sobre suas acusações de fraude eleitoral.

NBC News apoiou Welker. “Kristen é uma das melhores do setor e a apoiamos”, disse um porta-voz da rede.

Welker havia dito durante uma intervenção em uma emissora local da NBC em Washington que Trump teve “resultados mistos” em seus apoios a candidatos eleitorais, embora tenha destacado a recente vitória da republicana Darline Graham na Carolina do Sul.

A avaliação coincide com uma análise da NBC News segundo a qual seis candidatos apoiados por Trump para a Câmara dos Representantes e para a governança perderam suas primárias no início de agosto. Outros veículos também descreveram como misto o desempenho dos candidatos apoiados pelo presidente.

Trump, por outro lado, sustentou que seus apoios haviam sido praticamente impecáveis e citou as vitórias de Graham e Mike Mazzei, candidato republicano em Oklahoma. “Meu apoio é, sem dúvida, o mais contundente na história da política”, afirmou. “Se não fosse, seria o primeiro a admitir”, acrescentou.

A FCC tem poderes limitados sobre o conteúdo jornalístico e seu próprio site afirma que a agência não pode impedir a transmissão de um determinado ponto de vista. Por isso, uma eventual sanção contra Welker por seus comentários jornalísticos seria difícil de justificar.

O presidente da FCC, Brendan Carr, designado por Trump e considerado um aliado próximo do presidente, não respondeu às consultas sobre a ameaça.

A relação entre Trump e Carr já gerou controvérsia pela atuação da comissão frente aos meios de comunicação. Carr tomou medidas contra alguns licenciados pela FCC e mantém aberta uma investigação sobre a Comcast, empresa controladora da NBC, por supostas práticas de discriminação relacionadas a políticas de diversidade, equidade e inclusão.

A FCC também iniciou uma investigação sobre as estações locais da ABC, propriedade da Disney, depois que Trump criticou publicamente a rede. A Disney apresentou posteriormente uma ação contra a comissão na qual sustenta que as ações da agência violavam a Primeira Emenda.

Em março, Carr havia ameaçado redes de televisão por sua cobertura da guerra com o Irã após Trump ter feito críticas semelhantes.

Ex-funcionários da FCC de ambos os partidos acusaram Carr de tentar usar a comissão para pressionar os meios de comunicação e limitar a liberdade de expressão, enquanto Trump elogiava publicamente o funcionário.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.