Rio de Janeiro: baleias-jubarte chegam às costas cariocas em busca de águas mornas

21 de setembro de 2026

Embora habitualmente se associe ao Rio de Janeiro com suas icônicas praias, ao futebol, ao emblemático carnaval e à alegria, agora também é famoso por suas novas garotas, as baleias-jubarte.

Todos os anos, entre junho e agosto, o litoral carioca transforma-se em um local de avistamento desses gigantes marinhos diante de alguns dos cenários mais visitados da cidade.

Durante a migração sazonal de suas águas frias próximas à Antártida para as quentes costas brasileiras, onde se reproduzem, dão à luz e amamentam seus filhotes, centenas de baleias atravessam o litoral do país e podem ser avistadas em diferentes pontos do Rio de Janeiro.

Nessa rota migratória, a maioria das baleias tem como destino final o arquipélago de Abrolhos, na costa sul da Bahia. A partir de setembro realizarão a viagem de volta ao polo sul.

As principais diferenças entre a baleia-jubarte e a baleia franca austral, que chega às águas do Golfo Nuevo em Puerto Madryn e na Península Valdés, residem na sua anatomia e comportamento: a baleia franca austral é robusta, carece de nadadeira dorsal e apresenta calosidades na cabeça, enquanto a jubarte é mais esbelta, tem nadadeiras peitorais muito longas e é famosa por seus saltos acrobáticos. Pode medir perto de 18 metros.

Há algumas décadas, estavam à beira de extinção e avistar uma baleia no Rio era praticamente uma missão impossível. Agora, em um passeio de lancha próximo à costa, as chances de vê-las são altas.

O que costuma chamar mais a atenção é a cauda e o jato de vapor de sua respiração, já que elas sobem à superfície para respirar a cada cinco ou oito minutos, o que facilita o avistamento.

A população de baleias-jubarte começou a se recuperar a partir de 1986, quando a caça a esses mamíferos em nível mundial foi proibida. Agora estima-se que a manada que passa pela costa brasileira já supera 35.000 exemplares.

É uma recuperação histórica que merece ser celebrada: os relatos dos primeiros europeus a chegarem a essas costas descreviam uma Baía de Guanabara repleta de cetáceos.

De fato, na praia de Ipanema, o morro rochoso onde os turistas se reúnem para assistir ao pôr do sol recebe o nome Arpoador, pois, na época colonial, era o ponto de observação das baleias que eram caçadas com arpões.

Onde vê-las

Os locais recomendados para o avistamento são:

Praia Vermelha. Localizada na zona sul do Rio de Janeiro. Muitas excursões náuticas partem da Marina da Glória e percorrem essa região durante a temporada de migração. Além disso, a praia recuperou a qualidade de suas águas nos últimos anos, consolidando-se novamente como uma das favoritas para curtir o mar e a natureza. Com um pouco de sorte, é possível até ver baleias da beira-mar, enquanto repousam diante da costa carioca.

Praia de São Conrado. Menos movimentada que as outras praias da zona sul, São Conrado combina mar, montanhas e alguns dos cenários mais impressionantes do Rio de Janeiro. A praia faz parte da rota de migração das baleias e tem como cenário de fundo a imponente Pedra da Gávea.

Em 2024, tornou-se cenário de uma das imagens mais icônicas da temporada: uma baleia saltando diante do Pão de Açúcar, foto tirada por Humberto Baddini que rapidamente percorreu as redes sociais e os meios de comunicação. Além disso, São Conrado é famosa por seus voos de parapente e asa-delta.

Ilhas Cagarras. Consideradas um dos principais pontos de observação de baleias no Rio de Janeiro, o arquipélago das Ilhas Cagarras é também uma das áreas mais reguladas para o turismo de avistamento responsável. Localizadas diante da costa de Ipanema, no Atlântico, as ilhas formam um santuário de biodiversidade marinha e um importante corredor para baleias-jubarte e golfinhos.

O arquipélago é composto pelas ilhas Cagarra, Comprida, Redonda e das Palmas, além dos ilhotos Filhote da Cagarra e Filhote da Redonda. A região abriga espécies endêmicas e ecossistemas protegidos, tornando-se um dos principais destinos de ecoturismo marinho do Brasil.

Durante a temporada, são realizadas excursões de navegação, passeios de veleiro e atividades de stand up paddle nas proximidades, sempre respeitando as normas de conservação e observação responsável da fauna marinha.

Devido à sensibilidade desses mamíferos ao ruído e à presença de embarcações, as recomendações incluem manter distâncias seguras e evitar interferir em sua trajetória natural.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.