A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, retirou neste sábado a sua candidatura à Secretaria-Geral das Nações Unidas, semanas depois de ter sido divulgado um levantamento que a colocava em penúltimo lugar entre oito candidatos.
Bachelet ironizou no dia 3 de setembro sobre as poucas possibilidades de ser secretária-geral da ONU, durante um evento universitário.
“Hoje anuncio que decidi não continuar com minha candidatura à Secretaria-Geral das Nações Unidas”, afirmou a ex-mandatária por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais.
“Alguns poderão pensar que não era hora para uma candidatura como a que eu quis representar. Não me arrependo de ter me lançado neste grande desafio”, afirmou.
Bachelet destacou que sua candidatura ajudou a estabelecer o debate sobre a necessidade de que a próxima secretária-geral seja uma mulher latino-americana e independente.
“Contribuímos para estabelecer no debate global que a próxima secretária-geral deve ser uma mulher da América Latina”, afirmou.
A votação do Conselho de Segurança realizada em agosto colocou como favorita a ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett, com oito votos favoráveis.
A ex-mandatária socialista foi inicialmente indicada em fevereiro passado pelo governo do ex-presidente chileno Gabriel Boric, juntamente com México e Brasil. Contudo, sua candidatura perdeu força após o novo presidente chileno, o ultradireitista José Antonio Kast, retirar o seu apoio.
“Agradeço, especialmente, aos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum, que apoiaram esta candidatura desde o primeiro dia com generosidade e convicção”, acrescentou.
Ao longo de 80 anos de história, nenhuma mulher ocupou a Secretaria-Geral da organização mundial e apenas um representante da América Latina está registrado: o peruano Javier Pérez de Cuéllar, entre 1982 e 1991.
Segundo uma prática não regulamentada, que nem sempre é seguida, a Secretaria-Geral vai alternando-se entre as regiões. Desta vez, caberia à América Latina.
Até o momento, cinco mulheres e três homens aspiram suceder ao português António Guterres, de 77 anos, que concluirá seu segundo mandato de cinco anos em 31 de dezembro.