Lula intensifica ofensiva federal contra o crime organizado no Rio antes das eleições-chave

22 de setembro de 2026

O plano amplia as operações conjuntas já existentes entre autoridades federais, estaduais e municipais ao longo das principais rodovias do Rio e em territórios selecionados, com ênfase em ampliar o intercâmbio de inteligência, em uma atuação policial coordenada e em operações de fiscalização.

O senador Flávio Bolsonaro, principal rival de Lula e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o presidente dos EUA, Donald Trump, têm acusado Lula de agir de forma insuficiente para conter os grupos criminosos organizados que controlam vastas áreas do Rio e regiões remotas, como trechos da Amazônia.

“Este é um novo começo para criar um novo modelo de segurança pública neste país”, afirmou Lula. “Deus quis que começássemos pelo Rio de Janeiro, porque se der certo no Rio, vai funcionar em todo o país”.

As medidas incluem ampliar o trabalho policial coordenado, as inspeções, a inteligência e a vigilância ao longo dos principais corredores logísticos do estado para combater o roubo de cargas e o tráfico de armas e drogas, ao passo que também se perseguem as redes financeiras do crime organizado.

“Muita gente pergunta por que Lula, que já foi presidente três vezes, ainda não assumiu a segurança pública”, disse o mandatário. Ressaltou que, desde a Constituição de 1988, a maior parte da segurança pública tem ficado sob a responsabilidade dos governos estaduais, um equívoco que, segundo ele, seu governo pretende corrigir.

Alguns observadores afirmam que o governo de Lula acelerou os esforços para enfrentar o crime organizado após a operação policial mais letal da história do Rio, ocorrida no ano passado, na qual morreram mais de 120 pessoas. As pesquisas subsequentes mostraram aumento na aprovação do então governador Claudio Castro e forte apoio à operação policial letal.

Em maio, Lula lançou um projeto de 2 bilhões de dólares contra o crime organizado, que incluiu reforçar a luta contra o tráfico de armas, atacar as finanças das organizações criminosas, elevar a qualidade das investigações de homicídios e investir no sistema penitenciário do país.

Na sexta-feira, o presidente voltou a criticar a decisão de Trump, tomada no início deste ano, de classificar o Primeiro Comando da Capital, ou PCC, e o Comando Vermelho, ou CV, como organizações terroristas estrangeiras. Ele afirmou que, embora esses grupos assustem as populações locais, não são organizações terroristas porque visam lucro e não mudança política.

Alguns analistas e políticos afirmaram que essa classificação do PCC e do CV é uma tentativa de se intrometer nas cruciais eleições brasileiras, ao fazer com que Lula pareça brando diante do crime.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.