Eleições presidenciais no Brasil: Lula enfrenta um aliado de Trump que busca seu 4º mandato

11 de outubro de 2026

Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos, os dois mais votados irão ao segundo turno no dia 25 de outubro, na maior potência econômica da América Latina. Espera-se que outros dez candidatos apresentem votos bem inferiores no domingo.

Bolsonaro, de 45 anos, é filho do ex-presidente ultradireitista Jair Bolsonaro e aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula, com 80 anos, é um dos chefes de Estado mais idosos do mundo e concorre pela sétima vez à presidência, tendo fortalecido os laços do Brasil com Pequim.

Aliados de Trump têm encontrado apoio nos últimos anos em alguns países da América Latina, entre eles a Argentina, a Colômbia e o Peru.

Quase 159 milhões de brasileiros estão aptos a votar nesta acirrada disputa política.

Bolsonaro apoia-se na aliança com Trump

Enquanto Bolsonaro tem enfatizado sua aliança ideológica com Trump, Lula tem criticado Washington. Frequentemente, ele tem falado sobre os riscos de uma intervenção dos Estados Unidos nas eleições brasileiras após o governo Trump ter imposto altas tarifas às exportações brasileiras, revogado o visto do embaixador do país em Washington e sancionado um juiz do Supremo Tribunal Federal que presidiu a investigação que resultou na condenação de Jair Bolsonaro, o predecessor de Lula.

Flávio Bolsonaro tem destacado sua proximidade com a Casa Branca e insistido que o Brasil precisa fechar acordos melhores com o governo de Trump, incluindo a economia de minerais raros. O Brasil estima que suas jazidas contêm até 21 milhões de toneladas, ficando apenas atrás da China. Bolsonaro também tem feito campanha com a promessa de livrar seu pai da condenação de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e recolocá-lo na política.

Bolsonaro nega que o governo dos EUA esteja ajudando-o. “Essa narrativa não vai durar, sinto muito”, afirmou Bolsonaro em um comício de campanha em setembro.

Os brasileiros também elegerão 27 governadores estaduais, membros de assembleias legislativas estaduais, os 513 deputados federais e 54 dos 81 senadores do país na votação de domingo.

Erros de última hora podem decidir a disputa

Thomas Traumann, consultor político radicado no Rio de Janeiro, aponta que erros de última hora de qualquer um dos candidatos ou de seus aliados podem fazer toda a diferença para os eleitores indecisos.

“A polarização no Brasil criou uma armadilha. Não existe um terceiro candidato. Você tem apenas duas opções, e elas se enfrentam em uma atmosfera que piora a cada dia. É muito mais uma competição de acusações do que de propostas”, afirmou Traumann.

Há quatro anos, Lula derrotou Jair Bolsonaro por 2,1 milhões de votos, uma margem de apenas menos de 2 pontos percentuais. Naquele momento, os brasileiros estavam incomodados com a gestão do então presidente durante a pandemia de coronavírus, com suas repetidas ameaças à democracia, seus ataques ao sistema de votação eletrônica e o mau estado da economia nacional, enquanto a inflação subia.

Agora, o mandatário enfrenta uma dura batalha devido a uma crise do custo de vida e a um escândalo de corrupção que envolve o mesmo juiz que chefiou a investigação contra Bolsonaro.

Carlos Melo, professor de ciência política na Universidade Insper em São Paulo, afirma que alguns eleitores cansaram-se do Lula, que busca um quarto mandato não consecutivo como presidente. Ele é um dos presidentes de maior idade do continente, junto com Trump e Daniel Ortega, da Nicarágua, ambos também com 80 anos.

“Muitos na campanha de Lula não esperavam uma eleição tão difícil há algumas semanas, e ficou claro para eles que a eleição atual é uma batalha árdua e que as próximas, sem Lula, poderiam ser ainda mais desafiadoras”, comentou Melo.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.