Sem descansar nem um dia, o chefe de Estado retomou sua agenda de compromissos no Palácio do Planalto, em Brasília, após ter liderado, no centro de São Paulo, um ato multitudinário que se estendeu até perto da meia-noite.
De certa forma, nesta segunda-feira começou a transição entre o mandato atual e o próximo, o quarto, cujo início formal ocorrerá no dia 5 de janeiro do ano que vem.
Nesta semana, Lula agendou reuniões com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Defesa, José Múcio Monteiro.
Paralelamente ao principal conselheiro internacional de Lula, Celso Amorim, cabia-lhe a responsabilidade de enviar uma mensagem ao governo dos Estados Unidos, conhecido por sua simpatia ao Flávio Bolsonaro, o ex-candidato que não reconheceu a vitória de Lula por mais de quatro milhões de votos.
O ex-chanceler Amorim declarou que seu país é soberano e pretende manter boas relações com o governo de Donald Trump, mas que poderá seguir adiante se a administração republicana não reconhecer as eleições deste domingo.
Segundo rumores, a política externa do quarto mandato lulista manterá as diretrizes atuais, com uma estratégia de inserção internacional centrada no multilateralismo e no direito internacional.
Ao mesmo tempo, ele administra de forma pragmática suas relações com governos de signos políticos distintos, como os da Colômbia e do Chile, cujos presidentes, Abelardo de la Aspriella e Manuel Kast, saudaram hoje a vitória de Lula, embora ambos mantenham vínculos com o bolsonarismo.
Inclusive, De la Aspriella chegou a ser convidado por Flávio Bolsonaro para viajar a Brasília no dia 5 de janeiro, para sua eventual posse como quadragésimo chefe de Estado brasileiro.
Os gestos iniciais de Lula após o Tribunal Superior Eleitoral tê-lo declarado vencedor do segundo turno deram pistas sobre quem poderão ser os possíveis membros de sua futura gestão.
Na noite de domingo, ele dividiu o palanque com o senador Camilo Santana e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, ambos integrantes da coordenação da campanha eleitoral.
Santana foi citado hoje pelo jornal Estado de São Paulo como futuro homem forte do gabinete e, por extensão, um dos eventuais substitutos de Lula em 2030. Fonteles é um dos mencionados pelo jornal Valor Econômico como futuro ministro da Fazenda.
“Vi que meu nome tem sido citado por alguns membros para a Fazenda, mas minha prioridade no momento é governar o Piauí. Se o presidente Lula decidir me convocar para a Fazenda ou qualquer outra função, estarei à disposição dele”, disse Fonteles hoje à GloboNews.
A dança de nomes para o gabinete inclui a possível designação, como ministros das ex-titulares do Meio Ambiente, Marina Silva, e da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ambas derrotadas em suas disputas ao Senado.
A eles se soma o deputado André Janones, nomeado por Lula como o “general” do “Exército de Lula”, um canal de WhatsApp com mais de 10 milhões de membros cujo desempenho é considerado um dos fatores da vitória no segundo turno.
Outro nome que circula para a futura gestão petista é o do senador Randolfe Rodrigues, do estado amazônico do Amapá, peça-chave na relação do Executivo com o Legislativo, já que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, também é desse estado.
Consciente de que o futuro Congresso terá o bolsonarismo como primeira força, Lula começou a negociar com Alcolumbre um pacto de convivência com o bloco bolsonarista que será mais numeroso em 2027.
Lula está disposto a que Alcolumbre seja reeleito à frente da Câmara alta; em troca, pedirá ao senador que contenha muitos dos futuros senadores bolsonaristas que prometeram em suas campanhas fazer uma oposição implacável a Lula.