O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que as eleições no Brasil estiveram “manipuladas” e foram “muito corruptas”, após a vitória do mandatário Luiz Inácio Lula da Silva sobre seu aliado de direita Flávio Bolsonaro.
A derrota de Bolsonaro representa um revés para Trump, encerrando aproximadamente um ano e meio de vitórias conservadoras de grande repercussão na América Latina.
“Achei terrível”, disse Trump a jornalistas ao deixar Washington com destino a um comício de campanha para as eleições legislativas de meio mandato nos Estados Unidos.
“Eu não tomei partido, mas, francamente, pareceu outra eleição manipulada… parecia tão corrupta, tão terrível”, afirmou.
Trump já questionou sua derrota nas eleições presidenciais de 2020 — classificando-as como manipuladas — e duvidou das eleições legislativas de meio mandato do 3 de novembro nos Estados Unidos, nas quais o Partido Republicano corre o risco de perder o controle do Congresso.
Aliado da família Bolsonaro, Trump claramente esperava a vitória de Flávio.
“As eleições precisam ser indiscutíveis e, para mim, parecia que tudo ficava muito ruim”, continuou Trump.
Mas Trump foi evasivo quando lhe questionaram se pretendia tomar alguma medida em relação ao resultado brasileiro.
“Eu não concorro no Brasil, eu concorro nos Estados Unidos”, disse o republicano.
“Gosto de Lula, tenho uma boa relação com ele. Só achei que a forma como a apuração foi conduzida — com a prorrogação — transmitia uma imagem muito negativa.”
A jornada eleitoral brasileira, que todos os observadores viam como muito disputada, viveu um momento dramático quando as urnas estavam prestes a fechar, e a campanha de Lula pediu uma extensão de duas horas, alegando problemas de transporte em algumas regiões.
A prorrogação do horário foi decidida por um juiz da Suprema Corte, o que provocou protestos de Bolsonaro.
Apesar de sua proximidade com a família Bolsonaro, Trump também demonstrou uma estranha simpatia por Lula, afirmando que, apesar das turbulentas relações comerciais, ele e o veterano dirigente de esquerda, ambos de 80 anos, têm “uma química excelente”.