“Não há nada disso sobre a mesa, e é importante esclarecer isso”, declarou o funcionário a jornalistas, acrescentando que não havia nenhuma reunião programada entre o economista André Lara Resende e Lula.
Relatórios da imprensa local, segundo os quais Lula poderia se reunir esta semana com Lara Resende, autor da proposta e um dos artífices do Plano Real, que estabilizou a economia na década de 1990, têm gerado amplo debate no Brasil e criado dúvidas entre os investidores sobre se o líder poderia estar cogitando uma mudança radical na política monetária.
Em um artigo publicado em setembro, Lara Resende argumentou que o vertiginoso aumento dos juros da dívida brasileira tem sido o principal fator do deterioro fiscal do país. Propôs reduzir gradualmente a taxa de juros de referência do Banco Central até situá-la em torno de 7,5%, quase pela metade do seu nível atual.
Segundo ele, menores custos de financiamento freariam a acumulação da dívida e fortaleceriam a credibilidade fiscal, enquanto a intervenção no mercado de câmbio e a estrutura da dívida brasileira ajudariam a conter os riscos de inflação.
Muitos economistas do setor privado se opuseram à ideia, alegando que poderia afetar gravemente a moeda brasileira.
Durigan afirmou que considera a proposta de Lara Resende como uma “ideia em estágio inicial apresentada para debate público”, mas acrescentou que apresenta “várias deficiências”.
O Banco Central do Brasil tem previsto anunciar sua próxima decisão de política monetária na quarta-feira, após cinco cortes consecutivos de 25 pontos-base que reduziram a taxa de referência Selic para 13,75%.
(Relatório de Marcela Ayres; editado em espanhol por Javier Leira)