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Mulher é condenada a 66 anos de prisão por colocar veneno em ovo de Páscoa e matar duas crianças no Maranhão

23/06/2026 - 08h48min

Jordélia Pereira Barbosa foi condenada a 66 anos de prisão após envenenar Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, que morreram, além de Mírian Lira Rocha, que sobreviveu após ingerir o alimento

A Justiça do Maranhão condenou, na madrugada desta terça-feira, dia 23, Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos de prisão em regime fechado pela morte de duas crianças e pela tentativa de homicídio contra a mãe delas, em um caso que chocou o país. O crime ocorreu em abril de 2025, na cidade de Imperatriz.

As vítimas foram Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, que morreram após consumirem um ovo de Páscoa contaminado com veneno. A mãe das crianças, Mírian Lira Rocha, também ingeriu o chocolate e precisou ser internada em estado grave, mas sobreviveu após receber atendimento médico.

De acordo com a investigação, o doce continha chumbinho, produto utilizado ilegalmente como raticida. O ovo foi enviado à residência da família por meio de um mototaxista e acompanhado de um bilhete de Páscoa.

Segundo o Ministério Público do Maranhão (MPMA), o crime teve motivação passional. Jordélia seria ex-companheira do então namorado de Mírian e teria agido por ciúmes e vingança.


Crime foi planejado

As investigações apontaram que a acusada premeditou a ação. Ela teria viajado de Santa Inês até Imperatriz, utilizado nome falso para se hospedar em um hotel e contratado um motoboy para realizar a entrega do presente.

No momento da prisão, em Santa Inês, policiais encontraram com Jordélia objetos que reforçaram as suspeitas, como perucas, vestígios de chocolate em bolsas térmicas e uma passagem de ônibus.

Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que a ré praticou duplo homicídio qualificado contra as crianças e tentativa de homicídio qualificado contra Mírian. Entre as qualificadoras consideradas estão motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e o fato de as vítimas serem menores de 14 anos.


Pena e indenizações

Além da condenação, o juiz determinou o cumprimento imediato da pena, manteve a prisão preventiva da ré e negou o direito de recorrer em liberdade.

A sentença também estabeleceu o pagamento de indenizações por danos morais. Mírian deverá receber o equivalente a 100 salários mínimos, enquanto os pais das duas crianças terão direito a 400 salários mínimos.


Defesa negou envenenamento

Em depoimento, Jordélia admitiu ter comprado e enviado o ovo de Páscoa para a residência da família, mas negou ter colocado veneno no produto. A acusada atribuiu a responsabilidade a terceiros.

A versão apresentada pela defesa, entretanto, não convenceu os jurados nem a Justiça, que consideraram as provas reunidas durante a investigação suficientes para comprovar a autoria e o planejamento do crime.

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