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Aos 82 anos, morre Pedro Geraldo Breitenbach, o Pitt, referência no comércio e na história de Ivoti

12/07/2026 - 13h54min

Pedro Geraldo Breitenbach assumiu o Bar do Pitt ainda jovem, dando segmento ao negócio do seu pai Pedro José Breitenbach

Ivoti perdeu neste domingo, 12 de julho de 2026, um de seus cidadãos mais conhecidos e querido pela comunidade. Aos 82 anos, morreu Pedro Geraldo Breitenbach, o Pitt, responsável por dar continuidade a um dos estabelecimentos mais tradicionais do município, o Bar do Pitt, referência no Centro da cidade há mais de sete décadas.

Fundado em 1953 por Pedro José Breitenbach, pai de Pedro Geraldo e reconhecido como o primeiro padeiro de Ivoti, o empreendimento iniciou suas atividades como bar e restaurante. Na época, o local também funcionava como pensão (um tipo de hospedagem na época) recebendo cerca de 16 jovens que trabalhavam nas fábricas do município.

Natural de Lomba Grande, então zona rural de Novo Hamburgo, Pedro José casou-se com a ivotiense Emília Luisa Thewes. O casal teve quatro filhos: Pedro Geraldo, Neli, Nali e Nelda, que foi casada com o ex-prefeito Egon Schneck.


Símbolo da história de Ivoti

Pedro Geraldo assumiu a administração do bar ainda jovem e transformou o estabelecimento em um dos principais pontos de encontro da comunidade. Durante décadas, o local reuniu moradores, empresários e lideranças políticas, tornando-se palco de conversas e decisões importantes para o município.

Em entrevista concedida ao O Diário em 2023, quando o Bar do Pitt completou 70 anos, ele relembrou o ambiente que marcou gerações. “Eu fazia uma caipira no final da tarde e todos os políticos vinham no bar. Era um encontro de amigos”, contou.

Entre os frequentadores estavam nomes como Neldo Holler, o Bolacha, Egon Schneck e Arno Müller.


Participação na emancipação de Ivoti

A família Breitenbach também teve participação ativa no movimento de emancipação política de Ivoti. Segundo Pitt, foi possível reunir cerca de 200 assinaturas em um abaixo-assinado que defendia a criação do município. “Nós conseguimos fazer um abaixo-assinado com 200 assinaturas na época. Eu conhecia a maioria dos moradores pelo nome”, recordava.

As reuniões dos emancipacionistas aconteciam na antiga Camisaria Becker, onde atualmente funciona a Loja Lebes. A emancipação foi oficializada em 19 de outubro de 1964, quando o então governador Ildo Meneghetti sancionou a Lei nº 4.798, criando o Município de Ivoti.

Outra lembrança preservada por Pitt era a história de seu pai, que adquiriu uma das primeiras “bolachetas”, espécie de nota promissória criada pelo primeiro prefeito, Neldo Holler, para impulsionar a economia local. Segundo ele, Pedro José acabou rasgando o documento para não cobrar a dívida da Prefeitura.


Três gerações de tradição

Além do bar, a família manteve uma pensão entre as décadas de 1950 e 1970, onde era servido almoço aos trabalhadores das indústrias locais. Em 1983, foi inaugurado um novo prédio ao lado do estabelecimento, que recebeu um restaurante até 1999. O imóvel também abrigou uma ferragem, uma fábrica de móveis, uma funerária e, atualmente, uma loja de roupas.

Outra marca deixada por Pedro Geraldo foi a implantação da primeira sorveteria de Ivoti no Bar do Pitt. A máquina de sorvete italiano adquirida na época custava o equivalente a três automóveis Fusca. Mais tarde, ele optou por vender o equipamento para dedicar-se integralmente ao restaurante e ao bar.

Casado desde 1966 com Marlene Suzana, com quem se conheceu em um baile da Sociedade Harmonia, Pedro Geraldo deixa os filhos Pedro Daniel, também conhecido como Pitt, e Maurício Breitenbach.

Desde 2010, a administração do Bar do Pitt está sob responsabilidade de Maurício, neto do fundador. Na terceira geração da família, o empreendimento ampliou seu mix de produtos, investiu e segue sendo um dos estabelecimentos mais tradicionais e conhecidos de Ivoti.

Com a morte de Pedro Geraldo Breitenbach, Ivoti se despede de um comerciante que acompanhou e ajudou a construir parte da história do município, mantendo vivo, por décadas, um espaço que se tornou patrimônio afetivo da comunidade.

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