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Coluna Nova Petrópolis

A decisão de Nova Petrópolis de retomar o turismo

05/05/2020 - 10h04min

No turismo, Nova Petrópolis é uma das cidades gaúchas que mais avançaram na retomada. Isso está sendo observado, criticado e/ou elogiado, conforme a opinião de cada um. Facilmente sobressai o discurso mais alarmista, segundo o qual o preço a ser pago pode ser alto, referindo-se a vidas que podem ser perdidas. A grande verdade, no entanto, é que até agora ninguém sabe com total precisão o que é certo e errado. Um mês atrás havia cientistas falando 1 milhão de mortes no Brasil e ainda não se recomendava o uso de máscaras. Os erros, naquela altura, nem eram tão absurdos, porque trabalhava-se com as informações disponíveis. Agora as informações são outras e as conclusões, também. Digo isto porque, até aqui, muito claramente, o município de Nova Petrópolis está acertando nas decisões que toma. A começar pela ordem dada lá em meados de março, de mandar todo mundo para casa.

TENTATIVAS E ACERTOS II
Cerca de três semanas depois de “fechar tudo”, ou quase tudo, foi permitida a retomada gradual da indústria e da construção civil. Mais dez dias, e foi permitida a volta do comércio e dos serviços. E mais duas semanas depois, estabelecimentos turísticos como os parques. Reparem que entre cada uma dessas decisões existe um intervalo importante, em que os eventuais efeitos puderam ser devidamente avaliados pelas autoridades de saúde. E o que aconteceu nesse tempo? Nada! Não tivemos casos confirmados da doença e o número de pessoas internadas com suspeitas, menos de 10, é baixo para uma cidade com a população de Nova Petrópolis. Até o número de pessoas monitoradas em suas casas, que podem ter Covid-19 ou qualquer outro problema respiratório, foi diminuindo enquanto as portas das empresas eram reabertas.

RESSALVA I
Importante lembrar que a sequência de decisões tomadas pelo prefeito Regis Hahn e pelo comitê de crise nunca saiu dos limites estabelecidos pelo Estado. Além disso, se os afrouxamentos não resultaram no surgimento de casos locais, é porque as precauções que os acompanharam foram sempre muitíssimo bem cumpridas pela população. Aí alguém dirá: “Ah, mas não há casos porque não há testes”. Concordo, parcialmente. Se a cidade estivesse infestada pelo novo coronavírus, muitas pessoas estariam internadas no hospital e provavelmente até no ambulatório de campanha. E pelo menos algumas centenas de pessoas estariam sendo monitoradas em suas casas.

RESSALVA II
Desde que se fala de coronavírus, ouvimos que não há como fugir dele. Isso de ficar em casa é para dar tempo de o sistema de saúde se estruturar e para que não haja procura acumulada aos hospitais. Por enquanto, aqui no Estado, a ocupação dos leitos de UTI ainda está longe da capacidade máxima. E, mesmo assim, o já temos mais de 70 mortos. Estas pessoas não morreram por falta de vaga em UTI e o distanciamento social infelizmente não serviu para salvar suas vidas.

O PASSO ADIANTE
É por tudo isso que o município está certo no passo adiante dado desde o dia 1o de maio. Até porque a economia também é importante. É sim o passo mais arriscado até agora, pois implica na vinda de pessoas de outras cidades, que podem trazer o vírus. Os próximos dias precisarão de atenção redobrada e não pode ser descartado um ou dois passos para trás em caso de alerta. Os próximos 20 dias nos trarão muitas conclusões.

Por Francis Jonas Limberger
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