Bia Kicis: “A eleição mostrou que há uma maioria conservadora”

17 de outubro de 2026

BRASÍLIA – Bia Kicis chega ao Senado do Brasil como uma das vozes do núcleo duro bolsonarista. Ex-procuradora do Distrito Federal, deputada desde 2019 e presidente do Partido Liberal (PL) na capital, aos 65 anos venceu uma das duas vagas em disputa com quase 887.000 votos, apenas 52.000 a menos que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora mais votada na história do Distrito. Kicis fez campanha com uma promessa: o impeachment de Alexandre de Moraes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que instruiu a causa por golpe de Estado tentado contra Jair Bolsonaro.

Assumirá em fevereiro do próximo ano em um Congresso alinhado à direita. O PL será a primeira força em ambas as Casas, com bancadas que nenhum partido havia alcançado desde a Constituição de 1988: 121 dos 513 deputados e 28 dos 81 senadores, mais do que o triplo do Partido dos Trabalhadores do presidente Lula no Senado. Ainda assim, fica longe dos 54 votos necessários no Senado para destituir um juiz da Corte, e precisará alcançar acordos com parlamentares do Centrão para qualquer reforma de fundo.

Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, venceu a primeira rodada com 47% frente aos 45% de Luiz Inácio Lula da Silva e chega com vantagem ao segundo turno do dia 25 de outubro. Mas são apenas dois pontos, e Kicis evita o triunfalismo. Em uma entrevista exclusiva à LA NACION, mede suas palavras sobre o STF, descarta que o ex-presidente Jair Bolsonaro vá mandar por trás do filho e avisa que “o segundo turno é uma nova eleição”.

–Hizo campaña hablando de reducción de la carga tributaria, seguridad pública y libertad de expresión, y también del juicio político a Alexandre de Moraes. ¿Qué buscará primero?

–Minhas prioridades serão muito claras: liberdade, segurança pública e uma agenda econômica que reduza o peso do Estado sobre quem trabalha e produz. A defesa das prerrogativas do Congresso e da liberdade de expressão estará no centro do meu mandato. Em relação ao Supremo, não se trata de mudar a Corte inteira nem de perseguir juízes. Trata-se de fazer valer os mecanismos previstos na Constituição. Se houver fundamento para o impeachment de um juiz, o Senado tem o dever de analisá-lo. A nova composição da Câmara alta mostra que a sociedade quer mais equilíbrio entre os poderes, e acredito que essa mensagem será ouvida também pelos senadores.

–A qué atribuye el resultado de la primera vuelta? ¿Hubo un voto castigo al gobierno de Lula, indignación con las instituciones, en especial con el Supremo, o una adhesión real a las ideas de la derecha?

–Acredito que houve uma combinação desses fatores, mas seria um erro interpretar o resultado apenas como voto de protesto. A direita ampliou sua representação porque uma parte importante da sociedade se identifica com nossas bandeiras: segurança, liberdade econômica, responsabilidade fiscal, defesa da família e limites claros à atuação do Estado. Também existe, sem dúvida, uma insatisfação muito grande com o governo de Lula e uma preocupação crescente com o desequilíbrio entre os poderes. Acredito que as urnas deixaram uma mensagem bastante clara nesse sentido.

–Con el PL como mayor bancada en las dos cámaras, ¿cuáles son las tres reformas que la derecha va a impulsar, gane quien gane el balotaje? ¿Y cuánto de esa agenda depende de un Centrão que siempre cobra caro cualquier tipo de acuerdo?

–Veo três grandes eixos. O primeiro é econômico: responsabilidade fiscal, redução de impostos, corte do desperdício público e menos burocracia para quem trabalha, empreende e produz. O segundo é a segurança pública, com leis mais duras contra o crime organizado, os reincidentes e os criminosos violentos, e mais respaldo para as forças de segurança. O terceiro é uma agenda institucional e de valores. É necessário recuperar as prerrogativas do Congresso, garantir a liberdade de expressão e avançar na defesa da vida, da família, da infância e da liberdade dos pais na educação de seus filhos.

Essas bandeiras não pertencem apenas ao PL. A eleição mostrou que há uma maioria conservadora muito mais ampla no Congresso. Evidentemente, haverá que dialogar com partidos de centro para aprovar reformas e mudanças constitucionais. Isso é parte da democracia. O que não podemos aceitar é que a governabilidade se confunda com toma lá, dá cá. Vamos conversar com todos, mas temos compromissos muito claros com quem nos elegeu.

–Um indulto tiraria Jair Bolsonaro da prisão, mas não lhe devolveria seus direitos políticos. Qual você acha que será seu papel em um eventual governo de Flavio: conselheiro, ministro, ou o verdadeiro poder? ¿Intentarán revertir su inhabilitación para que concorra em 2030?

–Jair Bolsonaro não precisa de um cargo para ser o maior líder político do Brasil. Ele construiu um movimento que mudou a política brasileira, e o resultado desta eleição mostra que sua influência continua enorme. Naturalmente, sua experiência e liderança serão ouvidas por qualquer governo de direita. Mas não existe essa ideia de “verdadeiro poder”. Se Flavio for eleito, o presidente será ele, escolhido pelo voto popular, cabendo a ele formar sua equipe e governar.

Sobre 2030, considero que Bolsonaro foi afastado das urnas por decisões profundamente injustas e sempre defendi que seus direitos políticos fossem restituídos. Mas não acredito que seja o momento de antecipar uma eleição que ocorrerá daqui a quatro anos. Temos uma eleição presidencial que vencer agora e, depois, um país a reconstruir. O futuro político de Bolsonaro será discutido no momento adequado.

–La campaña de Flavio tuvo varios elogios y guiños hacia el modelo de Milei en la Argentina ¿Qué le gustaría copiar de esa experiencia?

–O que mais me interessa na experiência argentina é a coragem de enfrentar um Estado inchado e colocar a responsabilidade fiscal no centro do governo. O Brasil precisa gastar melhor, reduzir o desperdício, cortar burocracia e deixar de tratar como adversário quem empreende e gera empregos. Cada país tem sua realidade, portanto não se trata de copiar um modelo. Mas a disposição para enfrentar privilégios e estruturas que se perpetuam dentro do Estado é uma referência importante.

–Flavio ficou a três pontos do 50% ¿A qué votante todavía no convenció el PL para poder ganar?

–Nosso trabalho agora é falar com o eleitor que quer mudança, mas que ainda não se decidiu ou que não se identifica totalmente com nenhum dos campos políticos. A primeira rodada mostrou que existe uma maioria muito ampla insatisfeita com o rumo do país. O desafio é mostrar a esse votante que Flavio reúne as condições para pacificar o país, recuperar a economia, enfrentar a criminalidade e governar com responsabilidade. A segunda rodada é uma nova eleição, e precisamos conquistar cada voto.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.