Por Alexandre Garcia

Esta semana, ao ser perguntado sobre a reação do Presidente da República ao aumento recordista no preço do diesel, o Governador de São Paulo pediu: “Não dá para pular essa pergunta?” Seria fácil responder com outra pergunta: “Será que vocês preferem aumentar agora o diesel e provocar outros 11 dias de paralisação dos que entregam alimentos e remédios, com consequências na economia e na geração de empregos?” A resposta é óbvia; menos para quem desejaria que isso acontecesse de novo, para causar desabastecimento, queda do PIB e aumento do desemprego. É de tal forma óbvio, que dá até para desconfiar de sabotagem da quinta-coluna que ainda remanesce do aparelhamento da estatal, que por anos, em vez de ser do país, pertenceu a partidos que estavam no governo e a usaram para todas as falcatruas que a lava-jato escancarou.

Bolsonaro seria muito ingênuo se caísse nessa, a pretexto de evitar a repetição dos preços populistas manipulados no passado recente. Bons robôs de Gramsci logo cunharam uma palavrinha-chave: intervenção na Petrobras. (Lembram como ficou consagrado o termo golpe militar, repetido tal como recomendou Goebbels? – e a gente que testemunhou tudo sabe que foi um movimento midiático e católico, sobretudo.) Pois bem, veio ainda uma segunda parte: a de que a Petrobrás teria perdido 32 bilhões com a intervenção. Se alguém procurar essa perda na contabilidade da estatal, nada vai encontrar. Desvalorizaram-se, sim, em 8%, as ações que representam o capital da empresa. Na sexta-feira. Ótima oportunidade para comprá-las na segunda – quando logo se recuperaram. Mas o valor das ações também depende do preço do petróleo, da cotação do dólar, dos movimentos do cartel da OPEP, dos tuítes de Trump… Como se o preço do diesel não variasse também de acordo com cada estado da federação, em que o ICMS oscila de 12  a 25%.

Estamos na Semana Santa cristã. Oportunidade de identificar outra ação de fácil resposta. O Presidente da República, numa reunião com evangélicos, referindo-se ao holocausto judeu na Alemanha de Hitler, disse   que se pode perdoar, mas esquecer nunca. Logo a reação robótica viu nisso um ponto de atrito com Israel, recém visitado. Israel, um dos países mais importantes do mundo em ciência e tecnologia, fora deixado de lado pela política eterna brasileira por duas décadas. O atual presidente foi lá para reequilibrar a balança. Foi criticado por estar perto de Netanyahu, que veio à sua posse. Pois não é que Bibi Netanyahu foi eleito pela quinta vez chefe de governo? Os robôs ficaram furiosos e jogaram com o tema do holocausto, que é muito caro a Israel. A resposta fácil é que para os cristãos, como é o Presidente,  o perdão vem em primeiro lugar, ensinado por Cristo no Calvário: “Pai, perdoai-os” – lembrada nesta Sexta-feira Santa. Aí, fica atualíssima a segunda parte do perdão de Cristo, aplicada aos que apostaram que o aumento do diesel provocaria os camioneiros para um novo rombo no casco, porque não gostam do capitão do navio. Para esse, vale a segunda parte do perdão de Cristo: “Eles não sabem o que fazem.”