Brasil: Bolsonaro e Lula diante da crise que abala o STF

8 de setembro de 2026

“Não há mais condições para que Alexandre de Moraes permaneça no STF”, afirmou Bolsonaro, do Partido Liberal (PL, conservador), durante um ato de campanha em São Carlos, no interior de São Paulo.

Anteriormente, ele havia garantido que seu apoio ao Tribunal é “total”, porém que dentro dele existem magistrados como Moraes que “perseguem” adversários e que isso não favorece a “democracia”.

E ressaltou que é preciso avançar nas investigações contra Moraes devido às suas ligações com Daniel Vorcaro, preso por estelionato envolvendo cerca de 10 bilhões de dólares.

A crise estourou na segunda-feira, quando o juiz André Mendonça, também do Supremo, rompeu o sigilo do processo do caso Banco Master.

As mais de 200 páginas da investigação da Polícia Federal contêm mensagens de Vorcaro para Moraes e informações sobre um contrato de cerca de 24 milhões de dólares entre o alto magistrado e a esposa do juiz.

Moraes admite a existência do contrato, mas nega que ele constitua benefício ou favorecimento para o banqueiro.

O financiador Vorcaro também aparece em mensagens nas quais consulta Moraes sobre as investigações policiais contra o Master, que foi fechado pelo Banco Central em novembro passado por insolvência.

A tensão no Supremo subiu nesta quinta-feira, quando Moraes acusou seu adversário Mendonça de promover medidas que não competem aos juízes, mas se cabem à polícia, e de agir com viés político.

A atitude de Moraes foi questionada por Bolsonaro, para quem se trata de “uma cortina de fumaça” para gerar diversionismo e assediar o magistrado Mendonça.

Diante desse crescendo, o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu para si as investigações contra Moraes, visto como magistrado próximo a Lula e Mendonça, considerado mais inclinado a favorecer Bolsonaro.

Nesse contexto jurídico e eleitoral, Lula presidiu hoje uma cerimônia no Palácio do Planalto ao lado de Fachin.

Lá, o presidente e candidato à reeleição reiterou seu apoio às investigações no Supremo e afirmou que essa tarefa é necessária para preservar a “democracia”.

“Ninguém pode usar o cargo que possui em benefício próprio. Ninguém”, enfatizou.

Essa foi a segunda vez, em poucas horas, que Lula se pronunciou sobre uma crise que começa a afetar o governo e sua imagem, e que pode reduzir sua aprovação nas pesquisas em preparação para as eleições.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.