Lula pediu, na noite de ontem, explicações a Bolsonaro sobre o aporte financeiro feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante das reiteradas solicitações de Lula sobre o filme, Bolsonaro acusou Lula pela relação de seu filho Flávio Luís, conhecido como Lulinha, com uma famosa lobista que conseguiu acesso a ministérios para assinatura de contratos milionários. E pediu a Lula que explicasse por que Lulinha foi morar na Espanha e não está sendo investigado pela Polícia Federal.
Ao longo do debate na TV Bandeirantes, ambos percorreram o estúdio, aproximando-se um do outro enquanto trocavam acusações.
Flávio Bolsonaro chegou a insinuar, de forma vaga, que ficar perto de Lula poderia ser arriscado devido ao risco de furto de carteira. Enquanto Lula disse que não era seguro aproximar-se de um “miliciano”, aludindo às milícias paramilitares.
Ambos pareciam medir gestos e expressões em um duelo promovido pela TV Bandeirantes, em São Paulo, com transmissão por rádios e pela Internet. Esse momento pode ser decisivo para influenciar o voto de um segmento de eleitores ainda indecisos, enquanto as pesquisas mostram Bolsonaro à frente, embora por uma margem estreita.
Bolsonaro, com 45 anos, apareceu usando um terno azul-claro e camisa branca sem gravata, deslocando-se atrás de Lula, que chegou a ficar irritado com esse comportamento.
Flávio Bolsonaro enfatizou repetidamente que seu governo dará ênfase à segurança pública e prometeu que os brasileiros viverão mais seguros a partir de 2027, quando iniciará o próximo governo.
Prometeu reduzir a idade penal para 14 anos e acusou Lula de ser cúmplice de organizações de “narcoterroristas”, enquanto seu adversário parecia ficar na defensiva nesse ponto.
Lula partiu para o contra-ataque ao defender a redução da jornada de trabalho, que foi aprovada pelo Congresso, e ao acusar seu adversário de ser aliado dos EUA. Também lembrou que, em um ato bolsonarista no domingo à tarde, houve uma réplica inflável de um míssil, sobre a qual se pedia que Trump bombardear o Brasil.
Flávio Bolsonaro negou ter pedido ao presidente Donald Trump que tomasse medidas contra o Brasil e acusou Lula de manter ligações com “ditaduras” como a do Irã.
O clima, por momentos acirrado no estúdio, repetiu-se na plateia onde estavam os assessores de cada um, que chegaram a se dirigir provocações mútuas.
Por causa de uma denúncia anônima de bomba no veículo de Bolsonaro, equipes especializadas da Polícia Militar de São Paulo se dirigiram à TV Bandeirantes, onde foi impedida a saída de jornalistas e assessores por uma hora até que a presença do artefato fosse descartada.
Bolsonaro deixou o local antes do término das diligências, a bordo de outro veículo, acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O debate foi a principal notícia da manhã desta segunda-feira em diversos veículos de comunicação brasileiros.
O jornal Folha de São Paulo abriu com o título: “Lula e Flávio discutem Vorcaro, Lulinha e lobista”. “O confronto teve distorções e dados falsos. Veja o que foi verdade, erro e exagero”, acrescentou.
Enquanto isso, O Globo publicou vários artigos sobre o ocorrido em sua capa.
Na manchete principal pergunta-se: “Quem venceu no debate da Band?”. Em outra matéria, lê-se: “Debate da Band: o PT vê a postura ‘irrespeitosa’ de Flávio. O PL (partido de Bolsonaro) acredita que Lula estava ‘irritado’.”