Brasileiros votam em eleições acompanhadas de perto por Donald Trump

11 de outubro de 2026

Os brasileiros votam no domingo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, em umas eleições que vão decidir se o maior país da América Latina se junta à onda conservadora impulsionada por Donald Trump.

Desde a Amazônia até as terras agrícolas do sul, os brasileiros escolhem entre um leque já conhecido de candidatos e muitos vão se inclinar por quem menos os desagrade.

Com quase 81 anos, o esquerdista Lula busca um quarto e último mandato e adverte que a soberania de Brasil está em jogo diante da pressão de Trump, que disse acompanhar as eleições “de perto”.

Ele trava a disputa com o senador de direita Flávio Bolsonaro, de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ultradireitista designou seu primogênito como candidato após ser condenado a 27 anos de prisão por tentar um golpe de Estado contra Lula em 2022.

A última pesquisa do instituto Datafolha prevê 45% dos votos para o presidente e 42% para o senador, o que tornaria necessária uma segunda volta em 25 de outubro.

Lula conta com sua base eleitoral no Nordeste empobrecido e entre os eleitores de baixa renda, os católicos e as mulheres.

Bolsonaro lidera no sul, entre os mais abastados e os evangélicos.

Mas entre os quase 160 milhões de eleitores, alguns ainda ponderam seu voto.

“Já votei no Lula, mas ele já está velho; desta vez eu queria algo diferente. Mas não vou votar no Bolsonaro, não gosto dessa extrema direita, então estou meio perdido”, reconheceu Joelio Camargo, um entregador motorizado de 52 anos, em um posto de gasolina em Brasília.

Em um país polarizado, a campanha eleitoral se destacou por controvérsias e ataques pessoais.

Lula chamou Bolsonaro de ninguém, que “nem serve para ser síndico de um prédio”.

Bolsonaro, que se diz mais moderado que seu pai, declarou que “o Brasil já não suporta” o esquerdista.

– “Mais inimigos” –

Lula, reconhecido pelos programas sociais que tiraram da pobreza milhões de pessoas no início dos anos 2000, voltou ao poder em 2023, depois de ter sido preso por um enorme escândalo de corrupção e de suas condenações terem sido anuladas por motivos formais.

Derrotou Jair Bolsonaro por apenas 1,8 pontos percentuais em eleições tumultuadas, que degeneraram no ataque às sedes do poder em Brasília por parte de bolsonaristas.

Centenas foram condenadas por golpe de Estado e Flávio Bolsonaro prometeu amnistiar essas pessoas, bem como a seu pai, se vencer as eleições.

Durante o terceiro mandato de Lula, a inflação permaneceu sob controle e o desemprego caiu, mas os brasileiros reclamam do alto custo de vida e mostram-se exaustos com a criminalidade.

Também houve uma redução drástica do desmatamento na Amazônia, embora a mudança climática tenha ficado ausente da campanha, apesar da multiplicação de eventos extremos como secas e inundações no país.

O líder indígena Bepdjo Mekragnotire, 45 anos, da aldeia Bau, na Amazônia, disse apoiar Lula.

Sob Jair Bolsonaro, os povos indígenas do Brasil sofreram um aumento na destruição da floresta.

– Programas sociais vs impostos –

Trump ainda não apoiou explicitamente Flávio Bolsonaro.

Mas tem usado tarifas e sanções para pressionar Brasília, desde que seu aliado Jair Bolsonaro foi julgado por golpe de Estado.

Nos comícios de Flávio Bolsonaro, alguns de seus simpatizantes acenaram com bandeiras norte-americanas e imagens de Trump.

Em poucos meses, o discreto senador conseguiu chegar aos calcanhares de Lula nas pesquisas, mesmo após ter-se descoberto que era investigado por corrupção no financiamento de um biopic sobre o pai dele.

Ele prometeu mão firme contra a insegurança, bem como austeridade fiscal em meio ao aumento da dívida pública.

“Eles têm tantos programas sociais… para pagar a dívida precisam subir as taxas de juros e criar novos impostos. Isso afeta todos os setores, não apenas a atividade agropecuária”, disse este bolsonarista.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.