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“Senti medo pela minha família”, diz vítima de golpe em Dois Irmãos

Dois Irmãos/Morro Reuter – A reportagem especial trazendo alerta sobre o popular “golpe dos nudes”, que tem feito inúmeras vítimas em Dois Irmãos e Morro Reuter, repercutiu e alguns homens que já passaram pelas ameaças e tentativas de extorsões entraram em contato com a redação, reafirmando que viveram semanas de pânico pela pressão imposta pelos golpistas.
Um homem de 41 anos relatou exatamente o que vem acontecendo em quase todos os casos. No mês de novembro do ano passado, na rede social Facebook, ele recebeu o convite de amizade de uma mulher e aceitou. Assim que os dois fizeram amizade, ela passou a puxar conversa e, em pouco tempo, estavam conversando no celular, pelo aplicativo WhatsApp. Houve a troca de imagens íntimas e, em seguida, as ameaças. “Errei e garanto que aprendi a lição. Vi aquele convite, era uma mulher mais velha, não era foto de menor, e aceitei. Trocamos materiais, inclusive de cunho íntimo. Após isso, um homem começou a me ameaçar no whats. Disse que tinha conseguido saber muita coisa da minha vida e iria divulgar, tudo em tom forte de ameaça”, contou a vítima, que por dias passou dia todo recebendo ligações e mensagens ameaçadoras. “Nunca senti medo na vida, mas dessa vez, fiquei com muito medo. Eles passaram a me perseguir e senti medo pela minha família, com o que poderiam fazer”.

CONFESSOU PARA A ESPOSA
E PROCUROU A DELEGACIA

O homem, que é casado, decidiu abrir o jogo para a esposa e também procurou a Delegacia de Polícia. “Quando contei, já me preparei para sair de casa, porque imaginei que nunca seria perdoado. A minha companheira não merecia isso. Passei por momentos difíceis e ela sempre esteve do meu lado, apoiando. Não tinha motivo nenhum para fazer isso; foi um grande erro. Não vou usar nenhum argumento para justificar, não estou nenhum um pouco certo”, admitiu ele, que depois de um período conseguiu reatar o relacionamento. Na delegacia, ele recebeu apoio de uma das policiais, que registrou o caso e encaminhou as questões de internet para uma equipe especializada em Porto Alegre. “Logo, na polícia disseram que não havia o que fazer. No dia seguinte, fui novamente e, então, fizemos a ocorrência e cheguei a ir até a delegacia especializada em Porto Alegre. Deletei minhas redes sociais e também troquei de número de telefone”. Ao ler a reportagem sobre o aumento dos golpes e também da morte do morador de Morro Reuter, ele disse entender bem o que cada vítima estava passando. “Quando li a reportagem, me identifiquei e quis dividir porque é bem isso que acontece. Minha vida sofreu uma reviravolta e, como já falei, senti medo pela família. Hoje, consigo entender o que passa com essas pessoas porque já vivi isso e a lição foi aprendida”.

DO DESCONHECIDO ÀS AMEAÇAS
O golpe é praticado sempre da mesma maneira. Um perfil com foto de uma mulher encaminha convite de amizade no Facebook. A vítima aceita e eles começam a trocar mensagens, até chegar ao ponto da “liberdade” de trocarem fotos íntimas. Posteriormente, um homem, geralmente se passando por delegado, entra em contato com a vítima, alegando que caso a mesma não realize o depósito do valor solicitado, será presa, com a justificativa de que a garota é menor de idade. Em alguns casos, também é comum uma pessoa se apresentar como a mãe ou pai e solicitar dinheiro para tratamento psicológico, alegando que a filha ficou transtornada com a situação. Em Dois Irmãos e Morro Reuter, conforme dados da Polícia Civil, até agora as vítimas foram homens, com idades entre 40 e 55 anos. Há homens solteiros e casados.

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