Conecte-se conosco

Destaques

DIÁRIO RURAL: Agricultores familiares poderão renegociar dívidas com os bancos

21/04/2020 - 19h23min

Atualizada em 22/04/2020 - 08h34min

 Algemiro Kasper é agricultor familiar na localidade de Padre Eterno Ilges, em Santa maria do Herval. (foto: Rogério Savian)

Região – De acordo com o levantamento feito pelo Diário junto aos escritórios municipais da Emater/RS-Ascar nos municípios de Dois Irmãos, Morro Reuter e Santa Maria do Herval, nesses municípios são cerca de 200 famílias ligadas à agricultura que trabalham com algum tipo de crédito ou financiamento rural. Isso totaliza um valor superior a R$ 24 milhões, divididos em cerca de 300 projetos contemplados nos últimos anos. Neles estão financiamentos para a aquisição de maquinário, construção de galpões, implementos, veículos, entre outros. Também tem o pessoal que pega o chamado custeio para o plantio ou “custeio safra”. De acordo com os próprios agricultores esse dinheiro é fundamental para conseguir expandir a agricultura.

 Autorizada a renegociação

No dia 8 de abril o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a renegociação e a prorrogação de pagamento de crédito rural para produtores afetados pela seca e por dificuldades de comercialização em razão das medidas de isolamento social, necessárias para o enfrentamento da pandemia do coronavírus. Também autorizou os bancos a prorrogarem o pagamento de crédito de custeio e de investimento aos produtores rurais, inclusive agricultores familiares, e suas cooperativas, cuja atividade tenha sido afetada pelas medidas de distanciamento social. As instituições financeiras podem prorrogar o vencimento das parcelas de crédito rural, de custeio e investimento, vencidas ou a vencer, a partir de 1º de janeiro deste ano. A prorrogação será até o dia 15 de agosto de 2020. Ainda não está aberto o prazo para protocolar os pedidos de renegociação. Assim que forem definidos, os escritórios locais da Emater irão informar.

Agricultura familiar

A possibilidade de renegociação dos financiamentos poderá ajudar agricultores familiares como o Algemiro Kasper, na localidade de Padre Eterno Ilges. Ele produz hortaliças onde entrega para a merenda escolar. Também faz varejo e participa da Feira do Produtor, que acontece aos sábados no Centro de Santa Maria do Herval. Seu Algemiro, assim como muitos outros agricultores familiares, aposta na diversidade de culturas para garantir renda o ano todo. Em entrevista ao Diário, há alguns meses, o agricultor contou que está sempre investindo em estufas e maquinários agrícolas. Para isso conta com programas de crédito rural como o Pronaf. “É muito bom ser agricultor, mas para ficar na agricultura, é preciso investir. Já tive junta de boi, mas quando comprei o trator o serviço começou a render muito mais. É preciso ganhar tempo e também passar menos trabalho para fazer as coisas. Com isso eu consigo produzir mais”.

Santa Maria do Herval

De acordo com o Charles Rech, extensionista da Emater/RS-Ascar, em Santa Maria do Herval, cerca de 170 projetos são elaborados a cada ano no escritório e estes contemplam cerca de 100 agricultores para investimentos como aquisição de veículos, tratores, implementos e projetos de custeio para financiamento da safra do milho, batata, pecuária, avicultura, gado de corte e bovinocultura de leite. Só em projeto foram mais de 9 milhões no último ano, apenas feitos pela Emater. Fora disso podem existir agricultores que fazem projetos com profissionais particulares.

Charles Rech, extensionista da Emater em Santa Maria do Herval

“É um recurso importante”

<10> Em Santa Maria do Herval, segundo o secretário de Agricultura, Jaime Morschel, são muitas as famílias que trabalham com linhas de financiamentos para custeio e crédito rural para investimentos. Essas modalidades são bastante importantes para a expansão das atividades e desenvolvimento do setor. “Hoje em dia esses financiamentos facilitam para os nossos agricultores conseguirem comprar maquinas e implementos e, assim podem produzir mais”.

Jaime Morschel, secretário de Agricultura de Santa Maria do Herval. (foto: Rogério Savian)

15 famílias em Dois Irmãos

Em Dois Irmãos, o chefe do Escritório Municipal da Emater/RS-Ascar, Heitor Mena Barreto Filho, reforça que são dois tipos de créditos rural muito usados: Tem os de investimentos em implementos e também o de custeio. A aquisição de implementos costuma ter um tempo de carência e mais um determinado prazo para pagar. Já o custeio da safra é sanado logo após a colheita. Em Dois Irmãos são cerca de 15 projetos, contemplando aproximadamente a mesma quantidade de famílias. Para custeio são cerca de R$ 350 mil e já para investimento o valor alcança aproximadamente R$ 950 mil, totalizando mais de R$ 1,3 milhão.

Heitor Mena Barreto Filho, chefe do Escritório Municipal da Emater em Dois Irmãos. (foto: Divulgação/PMDI)

Outros R$ 2 milhões

Além dos projetos feitos através da Emater, também existem os realizados pelo Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Rurais de Dois Irmãos e Morro Reuter junto ao Sicredi. De acordo com o presidente, Pedrinho Becker, nestes são mais de 2 milhões investidos. “Nós, como sindicato, também vamos negociar com o Sicredi para encontrarmos uma maneira para renegociar esses financiamentos. Nossos agricultores estão com muitos prejuízos devido à estiagem e precisam que essas contas sejam prorrogadas”.

Pedrinho Becker, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Rurais de Dois Irmãos e Morro Reuter. (foto: Rogério Savian)

Morro Reuter

Já em Morro Reuter, de acordo com o extensionista rural da Emater, Evandro Knob, são feitos aproximadamente 120 projetos a cada ano, contemplando cerca de 80 famílias. O valor, apenas de 2019, é de aproximadamente R$ 14 milhões no município. “Temos bastante gente que pega esses recursos. Ainda estamos aguardando as orientações para vermos como vamos proceder. Mas acredito que nem todos que pegaram o dinheiro vão nos procurar para prorrogar as negociações, considerando que mesmo com a prorrogação dos prazos, os juros seguirão correndo”, destaca Evandro.

Evandro Knob, extensionista Emater Morro Reuter. (foto: Rogério Savian)