Ivoti – O amor e o encantamento pelas orquídeas já vêm desde a infância de Germano Nienow, morador de Nova Vila, onde mantém, junto com a esposa, uma pousada familiar. Ele traz na memória os períodos do Natal, quando a mãe, Elza, enfeitava os pinheiros com as mais lindas e variadas plantas.

O produtor, que estará na Feira das Flores de Ivoti, conta como começou o seu gosto por lidar com as plantas. “O meu avô praticava a agricultura de subsistência na Linha Olinda, Nova Petrópolis, município onde eu nasci. Eu tinha uns 14 anos quando a família se mudou para Novo Hamburgo, e o meu pai, Nildo Nienow, comprou um caminhão e fazia transporte para uma construtora da qual era sócio”, afirma o produtor.

Em 1976 ele casou com Zilá, e o casal teve os gêmeos Davi e Débora, de 38 anos. Os netos Benício, filho de Davi, e as netas Elisa e Laura, de Débora, são a nova geração da família. A produção das flores começou a ser exercida, de fato, a partir de 1998. E, a partir disso, ele nunca mais parou.

Toda a família apoia a iniciativa e a esposa acompanha Germano nas viagens em busca de novas plantas e conhecimentos sobre o assunto.

RARIDADE – Germano tem uma cattleya labiata vinicolor, considerada rara pelos orquidófilos. Ele conta que vendeu um exemplar para um cliente de Santa Catarina. Além disso, ele sabe que tem outra planta em um orquidário em Minas Gerais. Só das cattleyas intemedias existem cerca de 30 variações. No total, são mais de 25 mil tipos diferentes de orquídeas na natureza, divididas em 1.800 gêneros, constando entre as mais comuns: cattleya, vanda, phalaenopsis, dendobrium, cymbidium, oncidium, paphiopedilum e outras.

Clientes são da Região Metropolitana

O foco nas mudas é uma ideia para fornecer uma planta com um valor mais barato. Nienow tem clientes de outros estados, mas a maioria dos compradores é da Região Metropolitana de Porto Alegre.

Na propriedade, existem três estufas e mais um espaço onde coloca as plantas mais antigas. Ele participa das feiras de Ivoti, onde mantém contato com as pessoas interessadas na orquidofilia.

Além de ser associado à Associação dos Floricultores (Aflorecer) de Ivoti, o floricultor participa ainda da Sociedade Leopoldense de Orquidófilos e da Associação de Orquidófilos de Nova Petrópolis (Asonp). Inclusive, ele está disponível para realizar oficinas sobre o plantio e cuidados com as delicadas orquídeas.

São duas décadas dedicadas às plantas

Germano morava em Novo Hamburgo e trabalhava no setor de compras de uma empresa de laminados de São Leopoldo, vindo a residir em Ivoti em 2011.

A partir de 1998, o produtor começou a investir no plantio de orquídeas após receber a muda de um amigo que visitou a Expointer, em Esteio.

O começo foi modesto, com algumas plantas colocadas em prateleiras na parede de casa.

Segundo o produtor, há alguns anos a orquídea era um artigo de elite. “Na realidade, eu sempre gostei de orquídeas, mas quando eu era jovem, a planta era muito cara, e por isso não comecei a produção antes. As primeiras plantas eu comprava com o meu salário, e hoje possuo entre 4.500 e 5.000 mudas”.

“Caçadores” levavam orquídeas para a Europa

Desde a colonização portuguesa os navios saiam abarrotados de orquídeas do Brasil. Entre 1840 e 1850, a orquidofilia se transformou numa febre na Europa. Nienow comenta que os coletores das plantas nas florestas brasileiras eram chamados de “caçadores”, que traziam as plantas de carroça até os portos e depois mandavam para fora do País.

A palavra orquídea se origina no vocábulo grego “orkhis“, que significa testículo. O nome da família – Orchidaceae – foi assim estabelecido pelo fato das primeiras espécies conhecidas possuírem duas pequenas túberas (espécie de calo) gêmeas, que na visão dos povos que as descobriram sugeriam os testículos humanos.

Floricultor considera importante investir

Até o momento, para realizar todos os investimentos com estufas, mudas e materiais utilizados na produção de flores, Nienow se utilizou de recursos próprios, mas considera geral.

“O crédito é importante. Tenho o bloco de produtor, e se eu começasse hoje, teria que realizar um financiamento”, explica Germano Nienow, referindo-se ao Sicredi ou outra instituição financeira que atue com os programas federais de incentivo ao setor.

Hoje, já existem estufas no Rio Grande do Sul que são climatizadas, e os produtores usam ventiladores que fazem a dispersão da água nas orquídeas.