Kleiton Mass tem 19 anos e mora em Linha Nova (Créditos: Alex Günther)

Linha Nova – Uma deficiência física pode limitar a vida de uma pessoa. Pode restringir suas atividades, inviabilizar projetos e sonhos, tornar a pessoa dependente de familiares e amigos. Algumas pessoas, no entanto, podem encarar estas imposições como fatores motivacionais.

Como se sua missão de vida estivesse acima de qualquer dificuldade imposta pelo destino. Assim pensa o jovem Kleiton Mass, de 19 anos, que desde os 8 tem deficiência visual. De um olho, nada enxerga, enquanto do outro, tem a visão prejudicada pela duplicidade.  O fato poderia ser corriqueiro, se o rapaz não fosse bombeiro voluntário, jogador de futsal em ligas amadoras e ainda líder de grupos de jovens na igreja.

“Nada me impede de fazer o que quero”, enaltece Kleiton. O rapaz esteve envolvido em um acidente de trânsito no Rincão da Serra em 2008. Na oportunidade, estava na companhia do pai, Gilberto, e dois irmãos em um Chevette, quando o veículo colidiu contra um caminhão baú.

Parou na faixa de segurança e levou a pior

Kleiton bateu o rosto contra o para-brisa, que se partiu e prejudicou os globos oculares e os nervos da face, responsáveis pela abertura dos olhos. Ficou internado cerca de cinco meses no Hospital Pompéia de Caxias do Sul, onde realizou cirurgia com duração de 8 horas para recuperar parte da visão.

Há seis meses, Kleiton é bombeiro voluntário em Picada Café. Ele passou por todos os treinamentos padrões, e revelou a deficiência somente para o comandante Vilson Koch. Sua inspiração para procurar a corporação veio justamente de seu resgate em 2008, quando um bombeiro lhe socorreu e transformou a sua vida.

Kleiton joga futsal desde sempre. Atualmente, treina para jogar a 2ª Divisão de Presidente Lucena pelo Kanek’s. Ele defende ainda o Pé na Bola, de Linha Nova, e garante que joga bem em todas as posições da quadra. Com os companheiros do Kanek’s, passou por situação semelhante a que ocorreu nos bombeiros, ao não revelar sobre sua deficiência.

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Referência para outros jovens

O rapaz também é líder da juventude na igreja, trabalhando na orientação de um grupo de 20 jovens, além do coral, que se reúne todos os sábados. O foco está na recuperação de pessoas que enfrentam problemas familiares, dependência química e alcoolismo.

O pai, Gilberto, relata a importância do trabalho do filho, apontando como essencial no direcionamento dos jovens. Questionado se imaginou que o filho seria um prodígio em várias áreas, o pai não esconde o orgulho.

“Eu não esperava que ele fosse se erguer com tamanha força depois do acidente. Ele recebeu 50 pontos no rosto. A psicóloga do hospital nos preparou para vê-lo cego. Depois de alguns dias ele começou a reagir. Foi um milagre. Meu filho nasceu para coisas maiores”.