Ereni, motorista de ônibus, transporta trabalhadores e estudantes (Créditos: June Kruger)

Ereni Laci Schutz, 53 anos, casada com Sadi Augusto de Paula, já foi costureira, faxineira, vendedora. Mas nunca pensou que um dia seria motorista de ônibus. Tudo começou quando ela ainda morava em São Sebastião do Caí, onde montaria uma empresa de terraplanagem com o marido que investiu numa retroescavadeira e ela dirigiria a caçamba. Para isso, fez carteira de habilitação apropriada, sendo orientada pelo instrutor a já fazer CNH para dirigir ônibus, por serem categorias bem semelhantes. Acostumada a dirigir uma caminhonete a diesel, diz que não teve dificuldades para habilitar-se.

Ereni sempre foi corajosa, uma verdadeira guerreira. Ajudou a construir a casa onde hoje vive com Sadi. “Este piso ajudei a assentar”, diz apontando para o piso da sala. É mãe de cinco filhos: Tiago, 33 anos, Tássia a Tamara, 31, Rutiele e Franciele, 21, teve gêmeas duas vezes, tendo duas das filhas gêmeas nascido no dia 29 de fevereiro.

Hoje dirige ônibus da empresa do irmão, levando trabalhadores para empresas e estudantes para a escola, em Novo Hamburgo e São Leopoldo. Consegue achar tempo para a profissão, para os cuidados com a casa, para cuidar da neta Ana Julia e ainda toma conta de 20 cachorros, a maioria deles recolhidos da rua. Mas diz que pode sempre contar com o auxílio do marido.

Ela conta que o irmão, dono da empresa de transporte, não sabia que ela havia feito carteira e que quando contou foi motivo de piada. Mas tudo mudou quando um dia faltou motorista na empresa do irmão e, com apoio da cunhada, recebeu uma oportunidade de fazer um teste no ônibus, sendo contratada. “Nunca tive medo, isso não é comigo”, diz Ereni que considera que as mulheres podem fazer o mesmo que os homens. “Se o homem pode fazer, a mulher também pode. Não me refiro na força, mas se o homem tem capacidade, a mulher tem também”, opina.

Ela diz que hoje a mulher ainda sofre muito preconceito e que em muitas casas ainda ha homens que acham que há serviços que só cabem as mulheres, como lavar e passar, mas deixa claro que em sua casa não é assim. “Meu marido é aposentado e me ajuda em tudo”, afirma. Hoje os dois são parceiros também na atividade profissional, administrando uma empresa de mudanças.

Para Ereni, as mulheres hoje não dependem mais dos homens, embora considere que nem todas tenham consciência de seu poder. “Para algumas falta atitude, iniciativa e coragem”, aponta. Para ela, ser mulher hoje é ser independente. “Elas estão em tudo hoje em dia, até presidente mulher já tivemos. Estão conquistando espaço”, opina. Diferente de sua mãe, que ela diz que sempre foi dependente do marido, até para dirigir, Ereni diz que tem uma vida diferente. Para as mulheres, deixa um recado especial: “elas precisam ir a luta, não depender de ninguém e conquistar seus objetivos. Temos muita capacidade, não precisa ter medo. “O dia internacional da mulher é importante, porque nos merecemos.”

Ela, o marido Sadi, a neta Ana Júlia eos cachorros, Thor e Cacau (Créditos: June Kruger)