CORREÇÃO (11/12 – 16h40): A Movile afirma que não faz parte do grupo Telefônica/Vivo, e que a informação havia sido divulgada de forma incorreta pelo Ministério Público Federal (MPF). Este texto foi alterado. No final da matéria, confira a nota divulgada pela Movile.

Brasília – A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 10, a 69ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Mapa da Mina, com o cumprimento de 47 mandados de busca e apreensão em três estados e no Distrito Federal. Conforme a Procuradoria da República no Paraná, são aprofundadas investigações sobre repasses financeiros suspeitos.

Estes pagamento teriam sido realizados por empresas do grupo Oi/Telemar em favor do grupo Gamecorp/Gol, controladas por, entre outros, Fábio Luis Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula. Segundo apurado, os pagamentos superaram R$ 132 milhões entre 2004 e 2016. Parte dos recursos teria sido utilizada para a aquisição do sítio de Atibaia (SP), em caso onde Lula foi condenado em duas instâncias.

Em troca, a Oi/Telemar teria sido beneficiada pelo governo federal em atos como a aquisição da Brasil Telecom, autorizado a partir de um decreto de Lula, e a nomeação de um conselheiro da Anatel. A Oi/Telemar teria contratado a Gamecorp sem cotar com outros fornecedores, realizando “pagamentos acima dos valores contratados e praticados no mercado, assim como realizaram pagamentos por serviços não executados”, diz o MPF.

As provas foram recolhidas durante fases anteriores da Lava Jato. Entre elas, uma mensagem eletrônica para a diretoria da Oi/Telemar, informando que um repasse de R$ 900 mil para a Gamecorp, em 2009, fora deduzido da conta corporativa da empresa sob a justificativa de “assessoria jurídica”, incompatível com o objeto social da Gamecorp.

Também há suspeitas de repasses da Oi/Telemar para a empresa R.T Serviços Especializados, que seria utilizada para custear diversas despesas relacionadas ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, e pessoas a ele relacionadas. Dirceu participaria ativamente destas interlocuções, conforme a Procuradoria.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão para apurar indícios de irregularidades no relacionamento entre a Gamecorp/Gol com a Vivo/Telefônica, especificamente no projeto denominado “Nuvem de Livros”. Foi apurada movimentação de R$ 40 milhões entre a Movile Internet Móvel, e a Editora Gol entre 2014 e 2016.

Nota oficial da Movile

O Grupo Movile preza pela transparência em sua atuação e está cooperando com as investigações do Ministério Público Federal do Paraná, fornecendo todas as informações solicitadas. A empresa não é o alvo principal da investigação e trabalha em total colaboração com as autoridades. 
 
A Movile esclarece ainda que, diferentemente do citado no primeiro comunicado oficial emitido pelo MPF-PR, não pertence ao grupo Telefônica/Vivo. Somos um ecossistema brasileiro de empresas de tecnologia, com atuação global.