Marisa, de 53 anos, se prepara para a reconstrução da mama. (Créd,: Felipe Faleiro)

Ivoti – Se há uma palavra que possa resumir o sentimento da paciente Marisa Mees, 53 anos, é fé. A mesma que permitiu a ela superar os desafios impostos pela vida, mas que ela encara como uma forma de autoconhecimento.

Casada há 33 anos e mãe de um casal de filhos, ele com 32 anos e ela completando 17 nesta terça-feira, 22, Marisa está feliz e em paz consigo mesma. A paciente, que mora em Ivoti há 35 anos, enfrenta o câncer de mama. É uma situação que somente quem vivenciou talvez saiba descrevê-la.

Em primeiro lugar, o diagnóstico é um choque, depois representa uma mudança de hábitos, e por último uma reflexão sobre a vida. E neste mês que simboliza o Outubro Rosa, reforça-se ainda mais a importância da prevenção.

Histórico

Foi um autoexame em maio de 2016 que revelou que poderia haver algo errado no seio esquerdo. O primeiro diagnóstico foi mastite, uma inflamação nas glândulas mamárias. “Consultei um ginecologista. Ele avaliou e refez os exames. Uma ecografia mamária dizia a mesma coisa”, afirma.

Na oportunidade, porém, o médico viu que não havia necessidade de um estudo mais aprofundado, pois ela não tinha histórico de câncer na família. Mas, durante o período de avaliação, Marisa conta que sentia um inchaço incomum. “Comecei a me incomodar com a situação e procurei outro ginecologista. Em abril de 2017, descobri que havia um tumor cancerígeno”, afirma.

Após refazer os exames, foram descobertos dois nódulos, e não apenas um, conforme era suspeitado. Encaminhada a Novo Hamburgo, Marisa precisou aguardar de julho a outubro daquele ano para consultar com a mastologista, visto que as vagas eram limitadas. Com acesso a avaliações mais específicas, a confirmação da doença veio na sequência.

Psicóloga

“A gente fica sem chão, mas eu tinha certeza que era alguma coisa mais séria. A gente como mulher sabe. E Deus nos prepara”, comenta. Marisa passou pela quimioterapia e radioterapia. Atualmente, ela está na etapa de infiltração para depois reconstruir a mama. Ela conta que teve medo neste ponto. Foi encaminhada a uma psicóloga.

Ela prefere falar de superação. Do que mudou em sua mente para transformar a apreensão em vontade de viver. Sabia que era forte e assim continuaria. “Pensava: eu vou reagir diferente, e para mim não importa o caminho que devo seguir. O que importa é a volta, a vitória, alcançar o objetivo com êxito”, diz ela.

De voluntária à paciente da Liga em Ivoti

A palavra câncer foi retirada de seu dicionário. É como se não existisse. Em seu lugar, ela fala que enfrenta uma situação, de certa forma incômoda. Transformada em vontade de ajudar, Marisa afirma que já era voluntária recorrente da Liga Feminina de Combate ao Câncer, auxiliando em eventos e projetos. Tudo mudou quando ela mesma precisou de ajuda.

Hoje, Marisa integra o grupo de arteterapia, que se reúne todas as segundas-feiras, em um trabalho que eleva a autoestima, expressa emoções e proporciona o hábito do encontro entre as pacientes. Sobre esta atividade, ela diz que vale a pena. “A gente trabalha colocando nossos sentimentos no coletivo. É muito bom. Quem não conhece, venha”, comenta.

Por último, ela diz que foi pega de surpresa. “Sempre fui sorridente, pensamento positivo, tanto que as pessoas diziam para mim: tu vai tirar de letra, e a gente sabia que nem sempre era assim. Nem sempre esse apoio vem. As pessoas não sabem como reagir com isso. Eu tomei a liberdade de reagir diferente, e não me abater”.