Grifado em amarelo alguns anos das duas últimas décadas, onde houve disputa e vitória do candidato surpresa (arte: Mauri Toni Dandel)

Dois Irmãos – Na noite desta segunda, 9, tem eleição para presidente da Câmara. Embora nenhum candidato tenha confirmado que vai concorrer, sabe-se, nos bastidores que há, pelo menos, três candidatos a presidente.

Em resumo, há 20 anos, em dezembro de 1999, Roberto “Padeiro” Stoffel (PDT) havia sido eleito pelos cinco votos do PT e PDT no ano anterior, deveria retribuir a gentileza (ou acordo) votando em Edemar Rambo (PT) e não o fez. Com o voto em Flávio “Yannes” Müller (PMDB) este se tornou presidente da Câmara. Na época, o Diário manchetou que o voto do Padeiro respingaria nas coligações de 2000, o que de fato aconteceu, pois o PT lançou candidato próprio sem querer coligação com o PDT. E, respingou mais adiante, também, pois Padeiro não se elegeu vereador em 2000, trocou o PDT e se filiou ao PMDB, onde acabou eleito uma vez mais em 2004, antes de encerrar a carreira política.

Quatro anos depois, novamente em dezembro de 2003, mais uma virada espetacular. Paulo Quadri (PMDB) deveria ser eleito com três votos do PMDB e dois do PDT, mas no último dia, Veronez Bueno (PDT), in memorian, rompeu o acordo com o PMDB e junto de Sérgio Fink (então do PSDB, que tinha um vereador na casa, Elony Nyland), o PDT venceu a eleição e Veronez ficou de presidente duas vezes no mandato. Aliás, naquele mandato, mais especificamente na eleição de 2000, o PMDB viu reduzir sua representatividade na Câmara, pois tinha quatro vereadores (Leonel Dornelles, Tânia da Silva, Flávio Müller e Décio Weber) mas elegeu só três (Décio Weber, Paulo Quadri e Flávio Müller, que se licenciou para ser chefe de Gabinete e Dulce Lottermann assumiu quatro anos como vereadora). Então, com apenas três vereadores, o PMDB fez acordo com o PDT, que tinha eleito dois vereadores (Veronez Bueno e Elony Nyland) e se revezaram no poder: Veronez foi em 2001, Décio Weber em 2002, Elony em 2003 e em 2004 seria Quadri, mas puxaram o tapete dele.

No mandato seguinte, já em 2004, na eleição, PMDB e PPB elegeram a maioria, ou seja, cinco vereadores, com os quais formaram revezamento no poder, sem qualquer vitória ou virada de mesa de última hora. Assim, Elony (que mudou do PSDB para o PPB) foi presidente, assim como Ademir Berlitz e Paulo Quadri.

No mandato de 2009 a 2012, o PT/PDT venceu a eleição na prefeitura, mas tinha minoria, então, a oposição, com cinco vereadores, colocou todos os presidentes, sem qualquer margem de disputa pela situação. Sérgio Fink foi o primeiro ano, Tânia da Silva no segundo e, então, no terceiro ano, a virada. Sérgio Fink se elegeu presidente, vencendo Eliane Becker, com os votos do PT e PDT, inclusive do suplente Edemar Rambo (PDT), que estava na Câmara. No ano seguinte, o PT queria a presidência, com o apoio de Sérgio Fink, mas este disse que manteria o acordo da base de oposição e votou no PP para presidente, desta vez, em vez de Eliane, foi Jerri o candidato.

De 2013 a 2016, o PMDB/PP venceu a eleição na prefeitura, mas a oposição ficou com cinco vereadores, portanto, podendo se revezar na presidência. O PT queria a presidência no primeiro ano, mas não levou, pois a situação elegeu Jair Quilin (PDT). Entretanto, no ano seguinte, Sérgio Fink foi candidato, esperando o voto do Jair, que votou em Jailton, dizendo que não tinha acordo, não tinha prometido nada e que não poderia votar contra seu partido. Foi uma espécie de virada de mesa de última hora, pois o voto de Jair foi muito aguardado. No ano seguinte, o PT pressionou Léo (que havia trocado o PT pelo PSB) para votar em Filipin para presidente e ele o fez. Entretanto, naquele mesmo ano, o PT entrou na Justiça (Léo foi cassado no ano seguinte), então, não votou mais no PT e elegeu Sérgio Fink presidente.

Neste mandato, o governo elegeu seis vereadores. Em teoria, teria colocado todos os presidentes, pois nunca um governo ou uma oposição tinha seis vereadores. De fato, o governo elegeu todos os presidentes, mas de três eleitos, dois deles entraram pela porta dos fundos, ou seja, como candidatos da oposição. Na posse, em janeiro de 2007, Eliane Becker foi eleita, não só pela estupenda votação nas urnas, mas porque havia ficado sem a presidência no mandato anterior. Entretanto, nos anos seguintes, arquitetado por Elony, a oposição elegeu Paulo César Gerhke (PP) em 2018 e Sérgio Fink (MDB) em 2019.

Para relembrar, alguns momentos históricos na Câmara de Vereadores, a redação do Diário buscou alguns destes momentos, em que candidatos de última hora, lançaram chapas vencedoras, ou seja, a zebra (incógnita) venceu a eleição, devido a negociações aos 45 minutos do segundo tempo. Confira alguns deles. Não são todos, pois o fato de repetiu muitas vezes.

Eis o trecho comentado na Começo de Conversa recentemente

– Vamos fazer um breve histórico das eleições polêmicas. Foi mais ou menos isso que aconteceu, mas como algumas coisas são assuntos de bastidores e sem registro, alguns podem ter uma visão diferente da história.
Em resumo, na maioria das vezes, houve gente com eleição certa que caiu do cavalo. E houve vereador que foi para a sessão sem pensar em nada e saiu eleito presidente. Vamos fazer uma matéria, no site ou impresso, onde você poderá consultar ano a ano o que ocorreu. Pelo menos os anos mais curiosos. Eis um resuminho:
– Em 1999, Padeiro (PDT) era presidente, então, na eleição para 2000 seria a vez de retribuir ao PT, elegendo Rambo. Padeiro deu o voto para eleger Yannes (MDB). E a eleição, conforme prevista pela manchete do Diário, respingou nas coligações de 2000, quando PT e PDT concorreram separadamente.
– Em dezembro de 2003, na hora de escolher o presidente de 2004, Paulinho Quadri seria eleito presidente, no acordo entre MDB e PDT, mas Veronez (in memorian) se elegeu presidente, com apoio do PSDB de Sérgio e Elony, na época.
PATROLA
Nos idos de 2005 a 2008, MDB e PP patrolaram, sem chance para ninguém! Mas em dezembro de 2010, PP e MDB queriam eleger Eliane, mas Sérgio quis inverter, não conseguiu, acabou eleito pelos adversários, PT e PDT, capitaneados por Rambo. Então, em 2007, Sérgio deu o voto para o PP, mas não foi Eliane, e, sim, Jerri.
NÃO QUER CALAR
Jerri foi vice em 2012 porque foi eleito presidente da Câmara em dezembro de 2011 ou foi presidente porque seria vice?
MAIS E MAIS
No mandato seguinte, Tânia na Prefeitura, com oposição sendo maioria (PT e PDT). O PT quis a presidência n o primeiro ano, Jair acabou eleito com votos do MDB e PP. No ano seguinte, na hora de retribuir o favor a Sérgio, Jair disse que não votaria contra o PDT e Jailton se elegeu presidente.
Na eleição seguinte, Léo (no PT) deu o voto decisivo, elegendo Filipin como 1º, último e único presidente do PT na Câmara.
No ano seguinte, o PT cassou Léo, que, votou em Sérgio, eleito presidente, mesmo tendo minoria, pois o PT e PDT tinham cinco votos.
AGORA
Neste mandato, em 2016, Eliane foi eleita sem polêmicas. Mas nos anos seguintes, orquestrados por Elony (ou não?), Paulinho do PP e Sérgio Fink acabaram eleitos com votos do PT e PDT. E agora?
– Nestas, que são algumas das várias polêmicas, o que chama a atenção é que as três vezes que Sérgio Fink foi eleito foi pelas mãos do PT e PDT. Nenhuma vez foi eleito pelos votos do MDB ou PP. Será mesmo?
– Como será, então, nesta segunda?
– Finalizamos com a mensagem positiva do dia, do Thiago Nigro: “Se te falta tempo, o que falta não é tempo. Falta saber como usá-lo!”