Esporte
42KM DE SUPERAÇÃO: Atletas representam Lindolfo Collor na Maratona Internacional de Porto Alegre
A 41ª Maratona Internacional de Porto Alegre foi marcante para mais de 10 mil atletas que encararam o desafio dos 42 quilômetros no último domingo, dia 31. Entre eles, dois representantes de Lindolfo Collor mostraram determinação, disciplina e superação ao concluírem a principal prova do evento: Siméia dos Santos Silva e Emerson Petry, integrantes da equipe Capivara Runners.

Siméia dedicou a prova à sua irmã, Sara, que sofreu um acidente em 2025
UMA PROMESSA QUE VIROU MOTIVAÇÃO
Mais do que uma competição, a maratona foi a realização de histórias pessoais carregadas de significado, emoção e resiliência. Para Siméia dos Santos Silva, cruzar a linha de chegada representou o cumprimento de uma promessa feita em um dos momentos mais difíceis de sua vida. Em 2025, sua irmã Sara sofreu um acidente com uma lareira ecológica, que resultou em queimaduras em 45% das pernas.
“Para mim, aquilo era muito doído, porque eu não podia fazer nada para ajudar. Ela sofria muito, e eu ia todos os dias para o hospital, porque ela estava na UTI, só que ela estava consciente.” A atleta relembra o período de recuperação da irmã e o receio constante de que ela não voltasse a caminhar normalmente.
Foi durante esse processo que surgiu a promessa que a acompanharia até a maratona. “E um dia eu olhei para ela e eu disse para ela: se tu sair daqui bem, eu vou correr a maratona. Ela me olhou e disse assim… ‘não, tu é louca, tu vai sofrer demais’. Eu disse… ‘não, isso não vai ser nem um pouco do que tu está passando’. E graças a Deus ela saiu de lá, ela voltou a andar, e com isso, a partir de janeiro, começou o ciclo da maratona.”
TREINOS SUPERAÇÃO E EMOÇÃO
O período de preparação exigiu dedicação e mudanças na rotina. “Foi muito estranho, foram dias cansativos, dias acordando às cinco da manhã para poder fazer os treinos, mas enfim, para mim, a minha promessa bastou ela estar viva, caminhando como eu queria, então agora eu tinha que cumprir a promessa.”
Durante a prova, Siméia encontrou apoio na energia do público presente ao longo do percurso. “A energia durante a prova foi assim… Meu Deus, surreal, tu entrar, ver as pessoas gritando pelo teu nome, não tem explicação”, destacou.
Mas os desafios apareceram principalmente após o quilômetro 30. “Chegou no KM30, foi onde eu comecei a penar. Minhas pernas, assim, nossa senhora, parece que elas não saíam do lugar. Eu fui olhar, o meu pace estava em sete, não tinha jeito de eu conseguir diminuir ele.”
Mesmo diante da exaustão, a motivação para seguir em frente estava ligada à irmã. “A partir do KM30, foi todos os momentos por ela, teve muito choro, muita dor. Não tem explicação, as pessoas gritando pelo meu nome, gritando por ela, sabe, isso não tem explicação.”
SENTIMENTO DE MISSÃO CUMPRIDA
Ao concluir a prova, Siméia descreveu um sentimento difícil de traduzir em palavras. “Quando eu terminei, assim, a sensação foi de promessa cumprida, porque eu tinha muito medo, assim, de eu não cumprir.”
Nos quilômetros finais, quando as forças pareciam acabar, o incentivo de amigos e do público foi fundamental. “No KM39 para o KM40, eu tinha empacado, sabe. Eu pensei… eu vou caminhar até o final, porque eu não aguentava mais. E foi quando eu vi duas amigas minhas me esperando, gritando, e aquilo lá para mim, naquele momento foi muito bom vê-las na minha frente.”
A emoção se intensificou na reta final da prova. “Eles fizeram tipo um túnel, com pessoas em cada lado, batendo na tua mão e gritando pelo teu nome, dizendo só mais um pouquinho, só mais um pouquinho.”
Para a corredora, a experiência ficará marcada para sempre. “Foi difícil, foi tenso, mas foi lindo, foi emocionante demais. É uma coisa que eu aconselho cada pessoa que corre, se puder viver isso uma vez na vida, que viva, porque é muito emocionante”, finalizou.
DESAFIO INESPERADO E PRIMEIRA MARATONA
A história de Emerson Petry com a corrida começou de outra forma, voltada à saúde e ao bem-estar. “Comecei no esporte correndo inicialmente por saúde, sem grandes pretensões. Com o tempo, fui pegando gosto e me inscrevendo em algumas provas menores pela região, como 5 km e 10 km.”
O sonho de disputar uma maratona surgiu aos poucos, até ganhar um empurrão especial. “Em determinado momento, comecei a me questionar em casa: ‘será que eu conseguiria fazer uma maratona?’, mas isso ficou apenas no pensamento. Até que veio o desafio da minha mulher, que me presenteou com a inscrição da maratona no meu aniversário”, relatou.
Mesmo com apenas três meses de preparação, Emerson encarou o desafio com disciplina. “A partir daí, comecei a me informar melhor sobre treinos e preparação. Era um período curto, cerca de três meses até a prova, mas vi que seria possível com disciplina e dedicação.”

Emerson com a medalha da Maratona Internacional de Porto Alegre
DESAFIO FÍSICO E MENTAL DO TRAJETO
Durante a prova, Emerson destacou que a maior dificuldade foi controlar o desgaste físico e emocional. “Durante os 42 km da maratona, a principal dificuldade foi administrar o desgaste físico e mental. Após os 30 km, o cansaço aumenta bastante e é preciso manter o foco, controlar o ritmo e seguir a estratégia de hidratação.”
Segundo ele, os quilômetros finais exigem ainda mais força psicológica. “Dos 35 km em diante, a prova se torna muito mais mental: as dores aumentam, as câimbras começam a aparecer e a mente naturalmente pede para parar. Nesse momento, a maratona realmente começa, e o mais importante é não desistir.”
REPRESENTANDO LINDOLFO COLLOR
Além da conquista pessoal, Emerson destacou o orgulho de levar o nome de Lindolfo Collor para um evento internacional. “É motivo de muito orgulho representar meu município em um evento internacional. Além de buscar um bom resultado pessoal, levo o nome da cidade e mostro a força do esporte local, com atletas dedicados e comprometidos.”
Ele também ressaltou a importância da equipe Capivara Runners em sua trajetória. “Também faço parte da equipe Capivara Runners, de Lindolfo Collor, que tem um papel importante nessa caminhada, sempre incentivando e apoiando nas provas. Correr com esse suporte torna a experiência ainda mais significativa.”
GRATIDÃO E CONQUISTA
Ao cruzar a linha de chegada, Emerson sentiu que todo o esforço havia valido a pena. “Ao me aproximar da linha de chegada, senti uma mistura de felicidade, alívio, orgulho e gratidão por completar os 42 km e superar meus próprios limites.”
O atleta também fez questão de agradecer à esposa, que esteve ao seu lado durante toda a preparação. “Também sou muito grato à minha esposa, que teve um papel essencial em toda essa jornada, me incentivando nos momentos difíceis e me acompanhando em vários treinos longos, sempre dando suporte com água, géis e motivação.”
Para ele, a participação na Maratona Internacional de Porto Alegre ficará marcada para sempre. “Foi uma experiência que vou levar para a vida toda.”
