Leonardo Canova disse que irá lutar por Justiça (FOTO: ISAÍAS RHEINHEIMER)

REPORTAGEM PUBLICADA NA EDIÇÃO IMPRESSA DO DIA 16

Estância VelhaCinco dias após o crime brutal, que ceifou a vida de pai e filho em um assalto a ótica que administravam, a família Canova decidiu reabrir a loja nesta segunda-feira.  O compromisso com os clientes e manter vivo o legado deixado por Leomar Canova e pelo filho Luiz Fernando é que motivam a empresária Elaine Canova e o filho mais novo, Leonardo Canova, a seguir com o negócio. Timidamente, os clientes e amigos começam a voltar, para fazer algum tipo de acerto ou simplesmente para dar um abraço de conforto.

Para Elaine e Leonardo, cada gesto ou palavra soa como um alento, um carinho, e aumentam a certeza de que tomaram a decisão certa. Mãe e filho concordaram em falar com o Diário. Elaine, ainda bastante impactada com o final trágico do marido e do primogênito, ainda tem certa dificuldade de concluir um raciocínio, mas se mostra firme, especialmente, por estar amparada pelo filho Leonardo, e confiante na Justiça divina. “Vamos deixar para Deus resolver isso, mas não é só isso, quero Justiça aqui na terra”, declarou, no início da tarde de ontem. Elaine também destaca que a forma como estão sendo “abraçados” pelas pessoas da comunidade traz conforto e força para seguir. “Não ficamos apenas nós dois, podemos dizer que nossa família cresceu. Estamos mais fortes”, avisa.

Entretanto, mãe e filho também apelam por mais segurança em Estância Velha, para que novas famílias não precisem chorar a morte de alguma pessoa próxima por consequência de um assalto. “A gente tem pressa em ter segurança”, implora Elaine. Agora, segundo ela, se o caso não representar um divisor de águas no âmbito da segurança pública local, não sabe por quanto tempo manterá a ótica aberta. “Se isso (segurança pública) não mudar rapidamente, vamos fechar”, avisou. “Agora estamos aqui, mas a qualquer momento pode entrar alguém de novo, derrubar a gente no chão, fazer o que quiser, que não acontece nada”, desabafa.

AS LEMBRANÇAS QUE FICAM

A empresária lembra com carinho e emoção do marido e do filho assassinados e destaca que os dois eram iguais, com o mesmo empenho e com a mesma disposição. “Quando um queria ir pescar, o outro já estava pronto, quando um queria construir alguma coisa, o outro já tava indo lá comprar o cimento”, lembra.

Segundo ela, o que ficará marcado em sua lembrança é a maneira protetora de Leomar em relação à família e o grande coração do filho Luiz Fernando. “O Leomar era um lobo, sabe? Quando alguém fazia mal para alguém de nós, não existia barreira para nos defender”, garantiu. “Já o Fernando, com aquele jeitão dele, estava sempre querendo ajudar todo mundo. O mano era bom com todos e ruim com ele mesmo. Ele não podia ver ninguém sofrendo”, concluiu, com os olhos cheios de lágrimas.

 

Confira entrevista com Leonardo

Na entrevista concedida ao Diário, Leonardo Canova, não esconde o orgulho que sente do pai e do irmão, que partiram, vítimas de criminosos frios e violentos. Com o mesmo entusiasmo e competência com que Leomar e Luiz Fernando administravam as empresas da família, ele, que também já é empreendedor, se mostra disposto a assumir as rédeas dos negócios, com a mãe.

Porém, promete exercer seu papel de cidadão, de cobrar as instituições de segurança e o poder público respostas para o que aconteceu e para o que entende estar errado no município.

O Diário – Passado esse episódio trágico, qual é o sentimento mais presente na cabeça da família?

Leonardo Canova – Sentimento que fica é por Justiça, para que nenhuma outra família, ninguém mais passe pelo que a gente passou, porque, infelizmente, meu pai e meu irmão não voltam. Então, a esperança de Justiça não é só para mim e para minha mãe, é para todos que estão compartilhando conosco essa dor. 

 

O Diário – Como tem sido os dias de vocês pós-episódio trágico?

Leonardo – Vou aproveitar essa oportunidade, não fiz ainda, pois foi só de sábado para hoje (ontem) que eu tive uma calma, que estou conseguindo assimilar melhor as coisas, até porque aconteceram alguns sinais, algumas coisas que me deixaram mais tranquilo. Mas, a partir desta semana, vou começar um movimento de cobrança, em busca de Justiça. E não é pra nós (família Canova), pois nada volta, não tem como a gente entregar a chave da loja e pedir em troca meu pai e meu irmão de volta, mas para que coisas assim não voltem a acontecer.

 

O Diário – Antes do caso que vitimou teu pai e teu irmão, vocês já haviam sofrido um assalto, que inclusive terminou com a prisão dos criminosos, como vocês administravam a vontade de tocar os negócios e o clima de insegurança?

Leonardo – A gente vem todo o dia preparado para o pior, a gente acorda já com aquela sensação de ‘bom dia… que seja um bom dia mesmo’! Somente quando a gente vê um carro da polícia passando aqui na frente, é naquele momento que a gente consegue relaxar um pouco. Mas é questão de minutos e a tensão volta tudo de novo. É como se a gente tivesse que ir a uma massagista todos os dias para relaxar.

 

O Diário – A família conversava sobre como agir em caso de assaltos?

Leonardo – É difícil te dizer depois de tudo que se passou, mas, a gente conversava sim, todo dia… sobre rota de fugas… enfim, conversávamos.

 

O Diário – O que motiva a família reabrir a loja mesmo após a partida do Leomar e o Fernando?

Leonardo – É o legado, não podemos parar o trabalho deles. Quem foi no velório viu a quantidade de pessoas que foram se despedir. Foi das 5 da manhã às 11h30 e não parava de entrar gente. Então, isso só me mostra que o que o pai e o mano fizeram sempre foi bom, tanto no produto quanto no atendimento. Tudo! Então, não tem como parar, até porque as minhas mãos são as mesmas que as mãos deles, vamos dizer assim.

 

O Diário – Mas, certamente, vocês esperam que o caso promova algum tipo de melhoria no âmbito da segurança público do município…

Leonardo – É complicado de dizer, mas vamos tocar adiante (os negócios) por um tempo, mas se vermos que a segurança, tudo isso, ficar do jeito que está, vamos fechar as portas, porque a sensação de insegurança é grande.