Conhecimentos sobre plantio foram agregados em pesquisas e com auxílio da Emater (Créditos: Alex Günther)

São José do Hortêncio – Depois de trabalhar dos 12 aos 18 anos no plantio de mato de acácia, e três anos no setor de transporte de rações, o jovem Bruno Juchem, de 23 anos, decidiu investir na produção de verduras, continuando a vontade de trabalhar na agricultura, iniciada pelos antepassados.

Há pouco mais de um ano, Juchem produz abobrinha, pimentão, pepino salada e berinjela, e também já iniciou o plantio de cítricos, em 4,5 hectares, na propriedade do avô Auri Juchem.

Pelo interesse criou um caderno próprio de controle e fez pesquisas. Entrou num site especializado e buscou conhecer mais sobre fungos, bactérias e insetos que atingem determinadas culturas. Depois, fez contato com a Emater, buscando informações sobre o plantio de hortaliças. Também pesquisou os insumos que podem ser utilizados naquela cultura específica.

“Já enfrentei problemas e a Emater me ajudou a solucionar, e foi muito gratificante, pois houve um interesse. O Hector Éder me ligou algumas vezes para ver como está”, explica Bruno.

Sucessão rural: realidade vivida no dia a dia

Bruno entende que a maioria dos jovens opta por não querer continuar nos serviços agrícolas seguidos pela família. Ele segue na contramão dessa tendência, pois ama trabalhar no cultivo de hortaliças. Na primavera, ainda aproveita a terra para plantar melões.

“Eu comecei com o plantio de mudas de acácia quando tinha uns 12 anos e ajudava a cuidar da plantação, mas o meu pai, Valério José Juchem, parou com esse plantio lá por 2015; nesse período ele já trabalhava de forma paralela com o transporte”, declara o jovem produtor. Ele tem um irmão, de 19 anos, que trabalha em uma madeireira, e uma irmã, de 16, que trabalha em floricultura. A mãe, Elisete Soares Juchem, não trabalha no setor rural.

Em 2017 surgiu o interesse por fazer um contrato de parceria com o avô. “Esta propriedade onde eu planto estava parada e apareceu uma pessoa interessada na compra dela; em conversa com o meu avô, demonstrei interesse em plantar nessa área que ele ia se desfazer”, detalha Juchem.

Rotina inicia às 2h da madrugada

A plasticultura e o cultivo protegido são os sistemas utilizados por Juchem. No caso da berinjela, ela é plantada sobre plásticos, pois é uma forma de eliminar o inço. Já o pimentão, o pepino e a abobrinha são plantados em túneis de plástico para proteger do excesso de chuva.

A ida à Ceasa ocorre nas segundas, terças e quintas-feiras. Se for necessário, ele vai também às sextas. “Eu acordo normalmente às quatro horas da madrugada, mas em dias que faço a Ceasa, levanto às duas. Faço a colheita no sábado de manhã e preparo os produtos no sábado à tarde”, esclarece o jovem empreendedor rural.

No final de 2017, ele colheu milho, mas a produção de hortícolas iniciou mesmo em fevereiro de 2018. Com o dinheiro que ia ganhando, aos poucos foi investindo na produção. Hoje a venda rende entre 100 a 300 caixas de cada produto mensalmente.

Investimentos são necessários

Bruno Juchem comenta que o pai é associado ao Sicredi e considera importante que os produtores rurais tenham acesso às linhas de crédito, seja para compra de insumos ou para investimentos em maquinário ou mesmo estufas.

“O financiamento é importante, com certeza, pois é necessário injetar uma boa quantidade de dinheiro. Se gasta muito para fazer uma lavoura, algo em torno de R$ 40 a R$ 50 mil por hectare”, afirma o jovem.

O caminhão, da marca Mercedez Benz, que utiliza para levar os produtos à Ceasa, foi comprado do pai e ainda está sendo pago.

Renda e qualidade de vida

Segundo Hector Éder, engenheiro agrônomo da Emater, a ideia é que seja proporcionado um aumento de renda e melhoria na qualidade de vida.

“O Bruno demonstrou interesse em aprender, viu que algumas práticas eram ultrapassadas, e esse senso crítico me chamou a atenção para convidar ele para participar do Programa de Gestão”, comenta Hector.

Rastreabilidade

A questão da rastreabilidade é outro tema relacionado à produção de Juchem. A medida foi prorrogada para ser implantada até 1º de agosto. Atualmente vale o controle da produção. Quanto aos defensivos, o produtor deve identificar o lote e anotar todas as aplicações, o adubo que aplicou e o dia. Também deve registrar o inseticida que utilizar, a dosagem do produto e o dia.

A ideia é buscar alternativas de baixo impacto ambiental. “E não pode utilizar produtos não autorizados para a cultura”, explica Eder. Contudo deve aumentar a variedade de produtos que podem ser aplicados nas lavouras.