Pelo menos oito pessoas morreram neste domingo quando uma balsa que transportava quase 270 passageiros e tripulantes tombou diante da costa do norte separatista de Chipre, dividido por linhas étnicas. As autoridades informaram que procuram 17 desaparecidos, conforme o último boletim divulgado.
O capitão e outros oito tripulantes do ferry foram detidos sob suspeita de suposta negligência, informou o jornal Cyprus Mail, que citou declarações do primeiro-ministro da autoproclamada República Turca do Norte de Chipre, Unal Ustel. “Cada aspecto deste incidente será investigado”, assegurou o funcionário.
O transbordador, de propriedade privada, zarpou do porto de Kyrenia às 12h30 (horário local), de acordo com as autoridades, começou a vazar água de imediato por causas desconhecidas. Seguia para o porto turco de Taşucu, na província de Mersin, no Mediterrâneo Oriental.
A tragédia ocorreu diante da costa de Kyrenia, um destino de férias popular tanto para os moradores locais quanto para os turistas. O transbordador envolvido, um catamarã, era um dos vários serviços marítimos que conectam diariamente o norte de Chipre à Turquia.
O líder turco-chipriota, Tufan Erhürman, afirmou que 242 pessoas foram resgatadas com vida, enquanto oito haviam falecido e ainda se procuravam outras 17.
“Resgatamos 242 pessoas com vida. No entanto, também recuperamos os corpos de sete pessoas que perderam a vida. Estamos profundamente entristecidos por isso”, declarou Erhürman à CNN Turk em uma transmissão ao vivo.
Chipre foi açoitado no sábado por fortes tempestades, nas quais uma pessoa morreu depois de seu veleiro ter se chocando contra as rochas em mar revolto ao sudeste da ilha.
Ao ser questionado sobre a causa do capotamento, Erhürman referiu-se à tempestade de sábado, mas afirmou que as condições meteorológicas eram consideradas adequadas para navegar.
Em imagens transmitidas pela televisão turca, via-se o ferry após ter virado, e pessoas com coletes salva-vidas laranja sobre o casco do navio. Havia sol e vários barcos da região acudiram para prestar assistência.
A República Turca de Chipre do Norte, reconhecida apenas pela Turquia, controla o terço setentrional da ilha de Chipre, dividida desde 1974.
Ankara ocupou aquela parte da ilha na época em resposta a um golpe orquestrado por Atenas e levado a cabo por grecochipriotas, com o objetivo de anexar a ilha à Grécia. Atualmente, a República Turca de Chipre do Norte mantém ligações aéreas e marítimas com a Turquia.
“Estão sendo realizados todos os preparativos necessários para garantir uma resposta rápida dos serviços de resgate e de saúde”, indicou o Ministério da Saúde da República Turca de Chipre do Norte.