O Grêmio começa a atual temporada sendo uma espécie de evolução daquele time dos últimos dois anos. A vocação ofensiva segue, mas Renato Gaúcho tem adotado princípios diferentes para manter o time agudo. A invencibilidade no estadual e o ataque com 15 gols marcados são as provas de que, até agora, o elenco entendeu bem as novas ideias.

A saída de Cícero, agora no Botafogo, e Ramiro, reforço do Corinthians, influenciaram nas alterações. Mas as pequenas mudanças já haviam aparecido no começo dos anos anteriores.

O desempenho do Grêmio no Campeonato Gaúcho é quase impecável, mas precisa ser contextualizado. Mesmo com reservas, o tricolor encarou cinco partidas onde era o protagonista. Ou seja, tinha a obrigação de atacar e os adversários na maioria do tempo procuraram apenas fechar espaços e sair em contra-ataque.

Nesse contexto, as quatro vitórias (três delas com direito a goleada) e um empate soam mais razoáveis. O número de gols marcados, porém, segue sendo fato chamativo. E mais: 10 dos 15 gols foram convertidos por atacantes.

Renato usou partidas assim para praticar uma ideia diferente dos anos anteriores: o recuo de um dos volantes para organizar a saída de bola. Em 2016, 2017 e boa parte de 2018 a fase do jogo era encarada de outra forma. Os volantes nunca ficavam entre os zagueiros para receber passe curto e iniciar a transição ou jogo de posse.

Outra mudança é a orientação dada a Everton. Artilheiro do Grêmio em 2018, o meia-atacante passou a se posicionar mais ‘por dentro’. Ou seja, perto do centroavante. Dentro da área. A boa fase nas finalizações e o drible afiado são alguns dos motivos, mas outro é criar maior opção de passe para o portador da bola que progride pelo centro do gramado.

A presença de Juninho Capixaba, suplente de Bruno Cortez, também faz o Grêmio ter um posicionamento especial. O time recebeu orientação para fechar espaços e o lateral esquerdo ganha liberdade para atacar. Não à toa, o jogador emprestado pelo Corinthians já fez dois gols.

“A gente tem jogada? Só não vou falar qual é a jogada. Jogada a gente tem, treina muito. Quando ele avança, os companheiros sabem o que fazer. Por isso ele tem liberdade, por isso vai e cria, faz gols”, disse Renato Portaluppi.

Se os gols de um time falam muito sobre ele, o repertório do Grêmio no Gauchão grita. Contra Novo Hamburgo, Juventude, Caxias e São Luiz-RS o time de Renato marcou alto e colheu frutos. Os gols de Matheus Henrique, Jael e Pepê nasceram desse princípio.

“O que mais cobrou da minha equipe é roubar a bola sem falta. É importante. No momento que perder a bola, temos que continuar sufocando o adversário. Não recuar. Fizemos dois gols (contra o Juventude) assim, roubando no campo do adversário. Você se desgasta menos. No momento que sufoca, não deixa pensar”, comentou Renato Gaúcho.

O Grêmio volta a campo no domingo, contra o Avenida. A partida válida pela sexta rodada do Gauchão também vale taça. Os dois clubes disputam a Recopa Gaúcha durante os 90 minutos. Em caso de empate, o título será decidido nos pênaltis.