ROMA.- A um mês da avalanche migratória em Ceuta – quando 80.000 pessoas procedentes do Marrocos atravessaram o pequeno enclave espanhol no norte da África e mais de cem morreram na tentativa -, A Itália prorrogou nesta segunda-feira por mais 15 dias a suspensão do acordo Schengen com a Espanha. A decisão aprofundou a tensão existente entre o governo de direita de Giorgia Meloni e o de seu parceiro socialista, Pedro Sánchez.
Depois de ver as imagens de Ceuta, onde milhares de pessoas chegavam a nado ou tentavam atravessar as cercas fronteiriças do enclave, Meloni surpreendeu em 1º de agosto ao suspender, por um mês, o acordo de livre circulação com a Espanha, mesmo que a Itália nem tenha fronteira terrestre com esse país.
A decisão, sem precedentes, desencadeou uma inédita crise diplomática e também complicou milhares de turistas de ambos os países que, na alta temporada de férias de verão, sofreram atrasos devido a controles aleatórios em aeroportos e portos.
Espanha, de fato, respondeu duramente à decisão italiana e, em retaliação, colocou em prática, nos portos e aeroportos, controles a cidadãos italianos com destino à Espanha, até o 7 de setembro. Em reciprocidade com a decisão anunciada nesta segunda-feira, a Espanha também prorrogou essa medida até o dia 21 do mês seguinte.
A nova suspensão por 15 dias das regras de Schengen com a Espanha “foi adotada de acordo com o Comitê de Análise de Imigração e Segurança da Fronteira devido à persistência dos fatores que motivaram inicialmente a restauração dos controles em 1º de agosto, levando em conta também as iniciativas já empreendidas pela Espanha, em cooperação com a União Europeia, para avançar no sentido da normalização da situação na região”, explicou o Ministério do Interior italiano ao anunciar a medida.
O titular da pasta, Matteo Piantedosi, comunicou a decisão ao seu homólogo espanhol, Fernando Grande-Marlaska, durante uma “conversa telefônica construtiva”, segundo informou o próprio ministério.
Piantedosi había definido la víspera como “complicada” la situación en Ceuta, donde aún habría “entre 5000 y 10.000 migrantes no identificados”. El ministro advirtió, además, sobre una “alerta” de agencias de inteligencia españolas por la posible presencia de “sujetos con una caracterización jihadista”.
Como reflejo de la tensión que atraviesa el enclave, la policía española debió intervenir este lunes con disparos al aire para contener un enfrentamiento entre migrantes durante el desalojo de un campamento en un barrio de Ceuta, según informaron medios españoles.
En respuesta a la decisión del gobierno de Meloni de extender los controles de documentación a los pasajeros procedentes de España, Madrid anunció también este lunes una prórroga de 15 días de los controles fronterizos para quienes ingresen al país por mar o aire desde Italia, según fuentes del Ministerio del Interior español. La medida se mantendrá vigente hasta el 21 de septiembre, de acuerdo con El País.
Notícias falsas associadas à Rússia e a Israel
Antes de que se conociera la decisión de Italia de prorrogar los controles, el jefe del gobierno español, Pedro Sánchez, se refirió a la crisis en una entrevista con la cadena SER, en la que destacó la “cooperación immediata” de Marruecos para contener la situación em Ceuta. De hecho, la gran mayoría de los migrantes que habían ingresado masivamente al enclave a fines de julio regresaron poco después.
Sánchez también apeló à la solidaridad europea e lembrou que “em Lampedusa, a Espanha acolheu os migrantes que chegaram”. “A Europa deve ser solidária em Lampedusa, na Groenlândia e em Ceuta ou nas Canárias”, afirmou. E acrescentou: “Precisamos da solidariedade de países da Europa Central e do Norte. Por que, no caso da Espanha, não? Por que temos um governo de coalizão progressista? Por que temos uma posição em relação a Gaza u outros assuntos?”.
O mandatario atribuiu parte da crise à difusão de notícias falsas e desinformação nas redes sociais depois de um fallo do Tribunal Supremo espanhol que impede as chamadas “devoluções em quente” nas entradas a nado, uma circunstância que, segundo disse, foi aproveitada por “organizações criminosas”.
Sánchez sustentou ainda que essas notícias falsas se propagaram através de redes “associadas tanto à Rússia como a Israel e a uma internacional ultradireitista”, às quais acusou de usar a migração “não apenas para atacar a Espanha, mas também a Europa”.
“A realidade a que nos estamos enfrentando não quer dizer que tenha que vir de um ator estatal. Infelizmente, não temos um conhecimento completo do que ocorreu e seguimos investigando, mas o governo tem que trabalhar com certezas”, aclaró.
As declarações provocaram uma rápida reação do ministro de Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, que acusou Sánchez de mentir “descaradamente”.
Como ocorreu há um mês, na Itália a oposição de centro-esquerda saiu para criticar a prorrogação e a acusar o governo de Meloni de usar o tema para fazer propaganda política.
“A decisão do governo italiano de prorrogar a suspensão das regras de Schengen com a Espanha é simplesmente ridícula; responde mais à propaganda nacionalista de Meloni do que a qualquer necessidade real de segurança”, advertiu Riccardo Magi, líder de Más Europa. “O próprio Piantedosi não fornece cifras sobre quantos cidadãos marroquinos que passaram por Ceuta foram realmente interceptados nas fronteiras italianas até a data, o que demonstra que se trata de um exercício inútil que tem como efeito colateral minar um dos pilares fundamentais da União Europeia: a livre circulação de pessoas”, acrescentou, ao exigir ao primeiro-ministro que dê explicações sobre o assunto no Parlamento.
Da mesma forma expressou-se a eurodeputada do partido Aliança Verdes e Esquerda, Ilaria Salis: “A cruzada ridícula do governo italiano contra a Espanha continua, alimentada para servir à propaganda anti-imigração”, escreveu em sua conta no X. “É uma cruzada não apenas ridícula, mas também perigosa, porque uma Europa de nacionalismos mesquinhos nos enfraquece a todos. Se continuarmos por esse caminho, tarde ou cedo sofreremos represálias, e certamente não poderemos fingir surpresa. O nacionalismo é uma aposta perdida”, concluiu.