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Ivoti: o que dizem vereadores que aprovaram aumento de salário dos servidores pela inflação

23/04/2020 - 11h11min

Atualizada em 23/04/2020 - 11h16min

Ivoti – A aprovação do projeto de aumento de salário, conforme a inflação, para os servidores do Executivo, não surtiu efeito. Ontem, o prefeito Martin Kalkmann afirmou à reportagem que havia vetado o reajuste, que por si só gerou polêmica. A tendência é que o presidente do Legislativo, vereador Alexandre dos Santos (Borracheiro – PP, mesmo partido de Martin) também vete a reposição para os servidores da Câmara.

Ambos foram aprovados na sessão de segunda-feira, 20. O veto ainda será analisado pela Câmara, que poderá acatá-lo ou também vetá-lo. “Minha expectativa é de que o veto seja acatado”, afirma o prefeito. O Diário conversou com os vereadores ivotienses que aprovaram a reposição salarial, bem como com a parlamentar Rafaella Lima (PSD), que se absteve da votação por também ser servidora pública do Município, mas é relatora da Comissão de Finanças, que deu parecer favorável à votação.

O principal objetivo das entrevistas foi saber o motivo da aprovação, mesmo diante de uma situação de calamidade pública no município, no qual há expectativa de queda nas receitas.

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A palavra dos representantes da Câmara

“Nosso parecer estava pronto antes da pandemia. Não paramos para conversar com o prefeito e com a assessoria jurídica. No caso da Câmara, o presidente retirou alguns projetos e deixou aquele”
Cleiton Birk (Pires – PP)

“Acredito que agora que saiu, o assunto terá de ser analisado, antes que os projetos se tornem inconstitucionais, já que, a princípio, as Eleições serão em outubro. Vai haver reuniões das assessorias para ver a questão do ponto de vista legal. Não há recursos para o aumento”
Marli Gehm (MDB)

“Havia perspectiva de arrecadação, mas que não vai mais acontecer. A Comissão de Finanças tinha que ter visto o novo impacto. A Prefeitura terá de estudar para saber se vai conseguir manter o pagamento da folha dentro do índice permitido”
Satoshi Suzuki (PP)

“Os servidores públicos já ficaram sem aumento em 2018, então foi aprovado para não defasar os salários ainda mais. Não podemos condenar quem está trabalhando. Agora, se ele mandar este veto do aumento real para a Câmara, concordarei”
Leonir Schuler (PSB)

“Deveriam ter sido retirados os projetos, caso não houvesse condições de pagar o funcionalismo. Se a Prefeitura enviar relatório dizendo que não tem como pagar, serei o primeiro a apoiar. Tem as Eleições próximas, e eles têm alguns advogados. Foi meio falha deles [Prefeitura]”
Edemar Schumann (Republicanos)

“Eu, particularmente, solicitei que todos os projetos fossem retirados. Minha posição é esta. Até me surpreendeu quando chegou para a votação, sendo que eu nem fiz parecer para os funcionários do Legislativo. Pensei que seria retirado como a gente combinou”
Rafaella Lima (PSD)

“Não sabíamos que não podíamos aprovar”, diz presidente da Câmara

O presidente da Câmara, Alexandre dos Santos, deu outra versão para o projeto do Legislativo ter avançado. “Se der, vamos vetar também. Nós não sabíamos que em ano eleitoral não podíamos aprovar estas coisas. Agora vamos tentar economizar o máximo possível”, afirmou ele. Alexandre também disse que vai consultar a assessoria jurídica para saber o que pode ser feito.

Já o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ivoti (SIMI), Marcos Schossler, negou qualquer influência do sindicato e disse acreditar que o reajuste pelo IPCA está dentro da legalidade, mesmo com a aprovação do projeto fora do prazo determinado pelo TSE. Ele afirmou também que ontem não tinha posicionamento sobre o veto de Martin. “Os municípios não vão ter a compensação do governo. Nas outras esferas, os trabalhadores tiveram sua reposição salarial tudo de acordo com suas respectivas datas. O servidor público não é diferente de outro trabalhador, de qualquer categoria”, defende Schossler.