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Ivotiense na Espanha relata calamidade causada pelo novo coronavírus

24/03/2020 - 10h26min

Atualizada em 24/03/2020 - 14h49min

Elesandra Lucas, 32 anos, está com o noivo em Pamplona, na Espanha (Créditos: Arquivo pessoal)

Ivoti/Espanha – Com mais de 33 mil casos confirmados e 2,1 mil mortos até ontem, a Espanha vive uma situação ainda descontrolada em relação ao contágio pelo novo coronavírus. O país europeu é um dos que estão em pior situação do sistema de saúde, figurando entre as nações líderes na confirmação de casos por dia no planeta.

É lá, mais especificamente na cidade de Pamplona, capital da província de Navarra, que mora a ivotiense Elesandra Lucas, junto com seu noivo, que é espanhol. Ela tem 32 anos, e foi à Espanha em 2015 por motivos de estudo. Realizou um mestrado na Universidade de Navarra e agora cursa um doutorado no país. Navarra tinha, até ontem, 886 confirmados e 24 mortos pela Covid-19.

Assim como na maioria dos lugares do planeta, a rotina dela mudou completamente. “Desde sábado [14 de março], quando o governo decretou estado de emergência, não saímos mais de casa. É bem assustador”, contou ela ao Diário. Já com sotaque espanhol, Elesandra comenta que está trabalhando de casa, em seu emprego como agente de seguros.

Exército patrulha as ruas de Pamplona (Créditos: Arquivo pessoal)

Conforme ela, muitas empresas espanholas também tiveram de tomar a difícil decisão de demitir funcionários, à medida que não foi possível alterar para o trabalho em esquema home office. Foi o que aconteceu com o seu noivo. “Ele está cobrando o período que não trabalha, e logo depois a empresa deveria contratar todo mundo. Porém depende de como volta a situação depois da crise”.

Elesandra observa que, mesmo com diversos cuidados de higiene, o número de infectados pela Covid-19 vem aumentando. “A Espanha, e principalmente nossa região, tem muitos idosos. Consequentemente, estas pessoas têm mais possibilidade de falecer, pois têm imunidade mais baixa”, comenta ela. A temperatura fria desta época no país também facilita a disseminação.

“Pedi para minha família em Ivoti tomar todos os cuidados, antes que se chegue a um nível de contaminados que não se pode controlar”

Exército e polícia ampliaram fiscalização

Diante do quadro geral, o Exército e a polícia, que já eram rígidos antes da pandemia, engrossaram ainda mais a fiscalização de pessoas nas ruas, abordando e até multando quem se arrisca a sair. A segurança pública, antes responsabilidade de cada comunidade autônoma – como são chamados os estados –, passou a ser administrada diretamente pelo governo central.

Por ora, Elesandra mantém contato via Internet com outros brasileiros, e comenta que os espanhóis em quarentena estão solidários uns aos outros durante a terrível adversidade. A família dela no Brasil também recebeu reforço na orientação. “Pedi para minha família em Ivoti tomar todos os cuidados, antes que se chegue a um nível de contaminados que não se pode controlar”, observa.

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