Na abertura da série da Copa Davis entre Brasil e Suíça, o carioca João Fonseca reagiu nesta sexta-feira diante de Dominic Stricker, vencendo por 3-6, 6-3 e 6-2 com um último ponto de pura classe e começou a chorar de imediato. Uma situação marcante, visto que a vitória não definiu a série e isso não representa uma etapa avançada do certame.
Em sua estreia como local disputando este torneio, o tenista de 20 anos e 29º do mundo superou, ao fim de uma hora e 59 minutos, o segundo jogador de simples da Suíça. Após ceder o set inicial, ele se recuperou e mostrou consistência para ficar com o duelo, inclusive com uma jogada final que foi aplaudida por todo o estádio: realizou um drop que beijou a rede, caiu do outro lado, longe do alcance do adversário e selou a vitória.
Longe de erguer os braços, de apertar o punho ou de celebrar com o público, Fonseca tirou o boné e passou a cobrir os olhos, desbordado por uma emoção que teve apenas a pausa para os cumprimentos com seu derrotado e com o árbitro. Em seguida, caminhando até sua cadeira, sempre cabisbaixo, recebeu um forte abraço do capitão Jaime Oncins antes de ficar sentado, sem conseguir segurar as lágrimas.
O brasileiro deixou de lado o boné e o substituiu por uma toalha para continuar ocultando as lágrimas, enquanto recebia palavras de seu líder e a situação era acompanhada por um vendaval de aplausos da torcida local, muitos deles com seus celulares apontados para o primeiro herói do dia.
O que está por trás dessa reação de Fonseca? Algumas das últimas frases deixadas pelo jogador, nascido no Rio de Janeiro em 21 de agosto de 2006, explicam o que ele tem sentido nos últimos dias, em seu retorno à competição após abandonar antes da terceira rodada do ATP de Cincinnati, que iria disputar contra o australiano Christopher O’Connell há um mês, devido a uma lesão abdominal.
Após isso, comunicou a impossibilidade de estar no US Open, o último torneio de Grand Slam da temporada. “Minha recuperação foi dura. Obviamente, gostaria de ter jogado o Aberto dos Estados Unidos e estar em melhor forma física e mental. Sofri muitas lesões neste ano. Voltei a treinar na semana passada, comecei a me sentir bem novamente na quadra e não podia deixar de oferecer todo meu apoio à equipe”, afirmou nas últimas semanas.
“Esforcei-me para me recuperar o mais rápido possível para estar aqui. Todos sabem o quão importante que a Copa Davis é para mim. Desde a minha etapa juvenil, sempre foram as semanas mais importantes do ano para mim. Quando me cabia estar, sempre voltava mais feliz. Estar neste ambiente de união é fantástico e sempre muito produtivo para todos”, acrescentou quem em 2025 conquistou dois troféus de simples no circuito, um deles no ATP de Buenos Aires, aos 18 anos.
Fonseca é uma das últimas grandes promessas surgidas no mundo das raquetes. O que se seguiu após essa fase ascendente ficou aquém do esperado e, em janeiro passado, foi divulgado que o brasileiro sofre uma lesão crônica na região lombar, o que o obrigou a atrasar sua participação no circuito em 2026 e o levou a abandonar os torneios de Brisbane e Adelaide antes de enfrentar o Australian Open sem estar em plenas condições físicas.
Se na série for necessário um quarto confronto, no sábado Fonseca enfrentará uma estrela suíça, Stan Wawrinka, que já chegou a ser o número 3 do ranking e está na fase de despedida. “Tem que ir jogo a jogo. Se eu tiver que enfrentá-lo, será uma honra. Todo mundo sabe que Wawrinka é um jogador incrível. Sua trajetória no tênis é enorme”, elogiou o carioca.