Juiz brasileiro desclassifica investigação sobre filme biográfico de Bolsonaro por fundos suspeitos

16 de setembro de 2026

As suspeitas expostas na decisão do juiz Flávio Dino podem ainda complicar a situação do senador Flávio Bolsonaro, faltando poucas semanas para que ele enfrente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições nacionais de outubro.

Dino, que foi designado para o cargo por Lula e atualmente supervisiona uma das investigações em torno do filme, afirmou que havia se reforçado a hipótese da existência de um plano sofisticado de alocação e desvio de recursos públicos — que envolvia emendas ao orçamento do Congresso federal e ao governo municipal de São Paulo.

A Polícia Federal do Brasil realizou na quinta-feira uma operação contra o deputado federal e aliado de Bolsonaro, Mário Frias.

A polícia apreendeu documentos relacionados à produtora do filme e a Frias, que enviou cerca de 2 milhões de reais (US$ 400.000) para uma organização sem fins lucrativos vinculada ao filme. A polícia suspeita que uma organização criminosa canalizou os recursos para empresas que foram subcontratadas de forma irregular, sem evidência de que os serviços contratados tenham sido prestados.

O juiz indicou no domingo que havia fortes indícios de que Frias, que ocupou um cargo no gabinete de Bolsonaro, desempenhou um papel-chave dentro da presumida rede criminosa.

A rede também poderia ter vínculos com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital, ou PCC, indicou Dino. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou essa organização como uma organização terrorista estrangeira no início deste ano.

Frias nega ter cometido qualquer irregularidade. “Nunca destinei nenhum recurso do orçamento do Congresso para financiar ou beneficiar de alguma forma a produção do filme”, afirmou no domingo em redes sociais. Anteriormente, ele havia se referido à operação de quinta-feira como uma “cortina de fumaça”.

O Supremo Tribunal Federal do Brasil tem sido envolto em turbulências nas últimas semanas, com suspeitas de subornos, viés político e interferência policial que pairam sobre vários de seus integrantes.

Dino teve desacordos públicos recentes com o juiz André Mendonça, que foi designado ao banco por Bolsonaro. Mendonça ordenou na terça-feira a destituição do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência da força, Leandro Almada, por supostamente liderarem investigações ilegais contra Mendonça.

Dino revogou na quarta-feira a decisão de seu colega e restituiu ao cargo os dois mandos policiais. O presidente do tribunal, Edson Fachin, suspendeu posteriormente as decisões contraditórias.

O caos tem origem no colapso do Banco Master, que possui ativos avaliados em até 16 bilhões de dólares e que foi fechado em novembro passado após uma ampla investigação relacionada a um esquema de fraude que envolvia bilhões de reais.

O ex-diretor executivo do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso no início deste ano. Desde então, tem-se revelado que ele mantinha vínculos com muitos políticos de alto escalão — incluindo o senador Bolsonaro —, mas também com vários juízes do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes, que presidiu o caso no qual Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Augusto Almeida

Sou jornalista e apaixonado por entender as histórias por trás dos acontecimentos. No Jornal O Diário, acompanho as principais notícias do Brasil e do mundo, com atenção especial aos temas que ganham destaque, geram debate e ajudam a explicar as mudanças do nosso dia a dia.