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Me cabe, nesta semana em que o colega Andrei aproveita um período de férias, assinar essa coluna

12/02/2019 - 11h00min

Atualizada em 12/02/2019 - 13h33min

TRISTE I

E volto em um momento de uma tristeza profunda. A morte do jornalista Ricardo Boechat, da Band, na queda de um helicóptero, ontem, em São Paulo, me atacou, emocionalmente, de uma maneira sobrenatural. É doloroso perder alguém que a gente admira, quanto mais em tempos sombrios e em que o jornalismo está à prova de fogo, sendo contestado por qualquer sabichão que tenha acesso à Internet. Boechat era uma espécie de tubo de oxigênio, de nós, jornalistas. Foi um cara que salvou a pele do Jornalismo brasileiro por algumas “muitas” vezes, por ser um jornalista de apuração precisa e de opiniões praticamente incontestáveis. E ainda bem que ele nos salvou, pois, não tenho dúvidas que o Jornalismo saíra vivo e fortalecido dessa guerra de desinformação travada entre os bons jornalistas e os aproveitadores.

TRISTE II

Mas, tentando entender o que havia me deixado tão entristecido, me fiz lembrar que já vinha triste há algum tempo. Lembrei-me dos meninos do Flamengo, que morreram em um incêndio no Centro de Treinamento do clube, no Rio. O futuro de dez famílias (não era só o futuro dos meninos, o futuro das famílias também dependiam do sucesso deles, não tenho dúvidas) interrompido pela irresponsabilidade de um dos maiores clubes do Brasil. O incêndio poderia ter sido evitado caso o clube tivesse levado em conta as 30 vezes que foi notificado sobre as irregularidade no local. Ainda, lembrei dos mais de 300 mortos no desastre criminoso de Brumadinho. É mole?

FETICHE POR PRÉDIO INDUSTRIAL

Lembram daquelas negociação que a Prefeitura tentou nos enfiar goela abaixo, que consistia na troca do terreno da antiga creche Mundo da Criança (no coração da cidade) por um prédio industrial do grupo A.R. Moraes (antigo calçados Veância)? Então, é com desgosto que trago a informação que, depois da Câmara de Vereadores sepultar essa troca “pornográfica”, a prefeita Ivete Grade decidiu alugar tal pavilhão por, nada mais nada menos, que R$ 10 mil por mês. Não sei que tamanho fetiche há pela administração por esse prédio… É quase inacreditável que isso tenha acontecido, mas está lá no portal de transparência vinculado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS).

DESDE O DIA 1º DE JANEIRO

O mais curioso é que o contrato de aluguel é válido desde o dia 1º de janeiro! Sim, no primeiro dia do ano, quando, sabemos, ninguém tá nem aí para as coisas, é feriado, etc, etc, etc. O pior de tudo é que estamos em fevereiro e sabem o que tem neste prédio até o momento? Nada! Absolutamente nada! Não será surpresa nenhuma se esse prédio ficar abandonado, com a Prefeitura – leia-se, nós, contribuinte – pagando aluguel caro por mais uns seis, sete meses. É uma prática do Poder Público. Além disso, a atual administração já demonstrou ser capaz de fazer uma barbaridade dessas quando alugou o prédio onde hoje funciona a sede da Prefeitura e deixou o lugar inabitável por um ano, enquanto a gente pagava uma fortuna de aluguel. Eta, políticos!