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Azul prevê reduzir voos devido à alta no preço do combustível

06/06/2026 - 16h50min

Atualizada em 06/06/2026 - 16h50min

Foto: Fábio M. Passalacqua

Companhia aérea pode diminuir frequências e avalia até deixar de operar em algumas cidades caso cenário persista

A companhia aérea Azul anunciou que deve intensificar a redução de voos em sua malha aérea devido ao aumento dos custos com combustível, especialmente em função dos impactos do conflito no Irã sobre o mercado internacional de petróleo.

Em entrevista à agência Reuters, o presidente-executivo da empresa, John Rodgerson, afirmou que a companhia continuará realizando cortes de capacidade para preservar o caixa e adequar a operação à demanda. Segundo ele, a expectativa inicial era de que a guerra tivesse curta duração, mas o prolongamento do conflito exige novos ajustes.

“Vamos continuar a cortar algumas frequências de forma oportunista, certificando-nos de que estamos voando apenas rotas que fazem sentido”, declarou o executivo.

De acordo com Rodgerson, a maior parte das reduções realizadas no segundo trimestre ocorreu em voos internacionais. Os próximos ajustes devem atingir principalmente frequências domésticas, sem a retirada imediata de cidades atendidas pela companhia.

Como exemplo, o CEO citou a possibilidade de redução de voos em determinados destinos. “Se uma cidade recebe seis voos por dia, talvez, com esses preços de combustível, devesse receber quatro”, afirmou.

A Azul informou que seguirá priorizando seus principais centros de operação, localizados em Campinas (SP), Belo Horizonte (MG) e Recife (PE).

Embora a retirada de cidades da malha aérea ainda não tenha sido confirmada, Rodgerson admitiu que essa possibilidade permanece em análise. Segundo ele, a estratégia inicial é reduzir a utilização das aeronaves e cortar frequências antes de encerrar operações em determinados destinos.

O combustível representa atualmente um dos principais custos das companhias aéreas. Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) apontam que o querosene de aviação (QAV) responde por cerca de 45% dos custos operacionais do setor.

Apesar do cenário desafiador, a Azul avalia que a recente redução de 14,2% no preço do QAV, anunciada pela Petrobras no início de junho, pode trazer algum alívio. A queda corresponde a uma redução de R$ 0,93 por litro em relação ao mês anterior.

A empresa também destaca que sua situação financeira foi fortalecida após concluir um processo de reestruturação de dívidas, encerrado em fevereiro com apoio das companhias norte-americanas United Airlines e American Airlines.

A expectativa da Azul é que os custos continuem pressionados durante o segundo trimestre, mas que a demanda por viagens e a possibilidade de tarifas mais altas contribuam para uma melhora dos resultados no segundo semestre de 2026.

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