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Casos de mpox voltam a crescer no Brasil e reforçam importância da prevenção

18/03/2026 - 10h23min

Foto: Rima das Mukherjee/Shuttertsock

 

Aumento das confirmações reacende alerta para prevenção e identificação precoce da doença

Segundo dados do painel de monitoramento do Ministério da Saúde, o Brasil já contabiliza 129 casos confirmados de mpox em 2026. O número mais que dobrou desde a segunda quinzena de fevereiro, o que reforça a importância da vigilância epidemiológica e da informação à população.

De acordo com a enfermeira e docente do curso Técnico em Enfermagem do Senac Saúde, Fernanda Garcia, o aumento de registros está relacionado a diferentes fatores e não indica, neste momento, um cenário de crise sanitária. “O crescimento está atribuído à reativação da circulação do vírus em grupos que haviam apresentado queda de casos anteriormente e à maior mobilização social e atividades com contato físico, como após períodos de festas e viagens, além de uma detecção mais eficiente de casos suspeitos”, explica.

Entre os sinais de alerta da doença estão as lesões que podem aparecer em diferentes partes do corpo. “Erupções ou lesões na pele, com crostas ou bolhas que podem surgir no rosto, mãos, pés, órgãos genitais e região anal, são muito características da mpox. Além disso, pode ocorrer febre, cansaço excessivo, mal-estar generalizado, dores musculares e de cabeça e aumento dos linfonodos”, destaca.

A docente ressalta que outras infecções também podem apresentar sintomas semelhantes no início, por isso a avaliação médica é essencial para confirmar o diagnóstico. “Herpes simples ou zoster, varicela (catapora), infecções bacterianas da pele, reações alérgicas e até algumas infecções sexualmente transmissíveis são bem parecidas. A investigação clínica e o exame laboratorial confirmam o diagnóstico correto”, afirma.

A transmissão da doença ocorre principalmente por contato direto com pessoas infectadas ou com objetos contaminados. “Pode acontecer por contato com lesões ou fluidos corporais de uma pessoa infectada, relações íntimas, secreções respiratórias ao falar ou respirar próximo de alguém sintomático, contato pele com pele prolongado e por objetos contaminados, como roupas, toalhas, copos ou talheres”, explica.

Nos serviços de saúde, a atuação da equipe de enfermagem é essencial para reconhecer rapidamente casos suspeitos e orientar os pacientes. Além da identificação, a educação em saúde também faz parte do trabalho desses profissionais. “Também é papel da enfermagem esclarecer dúvidas do paciente e da família sobre a doença, reforçar orientações de prevenção e registrar e notificar os casos conforme os protocolos de vigilância”, acrescenta.

Para reduzir o risco de contágio, algumas medidas simples de prevenção são recomendadas. “Evitar contato direto com pessoas que têm lesões suspeitas, não compartilhar objetos pessoais, higienizar as mãos frequentemente com água e sabão ou álcool gel e procurar atendimento médico ao notar sintomas compatíveis são medidas que ajudam a reduzir a chance de espalhar ou contrair o vírus”, orienta.

Sobre a imunização, Fernanda explica: “Há vacina contra mpox disponível no Brasil, mas não em vacinação em massa para toda a população. Historicamente, durante surtos anteriores, grupos prioritários, como pessoas expostas ou em maior risco, receberam vacinas específicas”.

Outro ponto importante, segundo a especialista, é combater informações incorretas que ainda circulam sobre a doença. “É mito que a mpox atinge apenas pessoas que têm relação sexual. A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo, não apenas sexual. Também é mito que compartilhar objetos não transmite, já que o vírus pode se espalhar por objetos contaminados com fluidos das lesões”, esclarece.

Apesar do aumento recente de casos, a docente lembra que a maioria das infecções evolui de forma controlada. “A doença geralmente se resolve espontaneamente em algumas semanas, com cuidados de apoio e isolamento, mas pessoas com o sistema imunológico comprometido precisam de acompanhamento mais próximo”, conclui.

 

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