A decisão da China de restringir as exportações de fertilizantes para proteger seu mercado interno está gerando preocupação no cenário global e pode impactar o agronegócio brasileiro nos próximos meses. O país asiático é o terceiro maior fornecedor do insumo ao Brasil e respondeu por 11,5% das importações nacionais em 2025, somando mais de US$ 93 milhões.
Segundo informações da agência Reuters, Pequim teria limitado a saída de diversos tipos de fertilizantes, incluindo misturas de nitrogênio, potássio e algumas variedades de fosfato. A medida não foi oficialmente anunciada, mas já é confirmada por fontes do setor e teria potencial de restringir até metade das exportações chinesas — cerca de 40 milhões de toneladas.
A restrição ocorre em meio a um cenário internacional já pressionado pela guerra no Oriente Médio, que afeta rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um terço do transporte marítimo de fertilizantes. Com isso, os preços globais seguem em alta — a ureia, por exemplo, já registrou aumento de aproximadamente 40%.
Especialistas apontam que o impacto no Brasil não deve ser imediato. Isso porque os fertilizantes utilizados nas lavouras atuais já foram adquiridos anteriormente. No entanto, safras plantadas a partir do segundo semestre podem sofrer com o encarecimento dos insumos.
Além do Brasil, outros países também dependem significativamente das exportações chinesas. Em 2025, cerca de um quinto das importações de fertilizantes de países como Indonésia e Tailândia vieram da China, enquanto nações como Malásia e Nova Zelândia chegaram a depender de um terço desse fornecimento.
Analistas avaliam que a postura chinesa segue um padrão já conhecido, priorizando a segurança alimentar interna e evitando a alta de preços no mercado doméstico. A expectativa de representantes do setor é que as restrições permaneçam ao menos até agosto, após o período de maior demanda interna no país.
Os fertilizantes são essenciais para garantir a produtividade agrícola, e o aumento de preços pode levar produtores a reduzir o uso ou até mudar o tipo de cultura. Com isso, cresce a preocupação de que a medida contribua para elevar ainda mais o custo dos alimentos no Brasil e no mundo.