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Eduardo Leite é vaiado em evento com Lula no RS e pede respeito institucional
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), foi alvo de vaias durante discurso em um evento que reuniu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades, nesta terça-feira (20), no município de Rio Grande, no Sul do estado. Diante das manifestações da plateia, Leite reagiu pedindo respeito e reforçando o caráter institucional da cerimônia.
Assim que foi chamado ao palco, o governador enfrentou resistência do público e questionou: “Este é o amor que venceu o medo? Não, né? Então vamos respeitar”. Em seguida, destacou que estava cumprindo seu papel institucional e pediu respeito ao cargo que ocupa, assim como ao presidente da República. “Eu respeito o cargo do presidente da República, peço respeito, por favor”, afirmou.
Leite ampliou o discurso ao abordar a polarização política no país. Citou a eleição presidencial de 2022, marcada por disputa acirrada, e pediu que aqueles que defendem união não hostilizem quem pensa diferente. “Se vocês desejam união e reconstrução, não simplesmente hostilizem quem pensa diferente”, disse. Para o governador, atitudes hostis apenas aprofundam ressentimentos entre grupos políticos. “O que faz essa postura é incendiar na outra metade ainda mais ódio, rancor e mágoa”, completou.
Ao pedir respeito ao ambiente institucional, Leite ressaltou que o evento não se tratava de um comício eleitoral. “Aqui é um ambiente institucional, é o presidente da República. É o governador do estado eleito pela mesma população que escolheu o presidente”, afirmou.
A visita marca a primeira agenda de Lula no Rio Grande do Sul em 2026. O presidente participou da cerimônia de assinatura de contratos para a construção de cinco navios gaseiros, no Estaleiro Rio Grande, em parceria com a Transpetro.
Durante o discurso, Leite também cobrou incentivos fiscais do governo federal ao estado. O governador citou a recente disputa perdida pelo distrito industrial de Rio Grande para o Espírito Santo, onde a montadora GWM decidiu instalar uma nova fábrica, com investimento estimado em US$ 1,1 bilhão e geração de 10 mil empregos.
Segundo Leite, há um “profundo desequilíbrio federativo” que prejudica o Sul. Ele mencionou benefícios concedidos pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que oferece redução de 75% do Imposto de Renda (IRPJ) para empresas que investem na região — incentivo inexistente no Sul. “É uma distorção histórica que já levou montadoras a deixarem o Rio Grande do Sul”, afirmou.
O governador também citou o impacto do pagamento da dívida com a União, que consome cerca de 10% do orçamento estadual, e a desvantagem histórica do estado frente a incentivos concedidos às regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, como isenções de IPI.
Ao encerrar, Leite adotou tom moderado e agradeceu os investimentos anunciados, mas reforçou o pedido por medidas que reequilibrem a federação. “Agradecemos o esforço, mas pedimos a melhor atenção do governo federal para permitir ao Rio Grande do Sul melhores condições de atração de investimentos”, concluiu.
