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Há 100 anos, segundo o Governo do Estado, já eram 5.240 habitantes em Boa Vista do Herval

12/05/2026 - 14h58min

Antes de ser município, Teewald, São José do Herval e Boa Vista formavam o distrito de Padre Eterno

Mauri Marcelo ToniDandel

Santa Maria do Herval se emancipou e virou município em 1988, mas, antes disso era distrito de São Leopoldo e, depois, de Dois Irmãos.

Relatos históricos de diferentes historiadores mostram que Boa Vista do Herval (que depois foi distrito de Padre Eterno) e, mais tarde, o Teewald (que passou a ser a sede do distrito) já foi disputada por Novo Hamburgo, quando esse se emancipou de São Leopoldo.

PADRE ETERNO

Em resumo, o distrito era sediado em Boa Vista, pois tinha muitas famílias influentes (a maioria evangélicas) e abrangia toda região, de São José do Herval até Santa Inês (hoje, na “Grande Pinhal Alto”) e Jammerthal (hoje, Picada Café), depois mudou de nome para Padre Eterno. Mais tarde, por influência da Igreja Católica, o objetivo é levar a sede para uma localidade católica, como São José do Herval, mas, conforme Sandro Blume, não havia casa ou construção para abrigar o espaço, então, optou-se pelo Herval, que tinha espaço para tal. A pedido do padre da época e do arcebispo, a Câmara de São Leopoldo aprovou a troca de Boa Vista por Herval (nota: mas o assunto é longo e será abordado em outra oportunidade).

A convite do Diário, o historiador Sandro Blume preparou artigos sobre a história do Teewald e traz um relatório de 1920, elaborado pela Intendência de São Leopoldo para o Governador Borges de Medeiros, que comandava o Estado. As informações fazem parte do livro Histórias de São Leopoldo, que ele escreveu com Felipe Kuhn Braun.

100 ANOS

Há cerca de 100 anos, o distrito de Boa Vista do Herval, que logicamente não é apenas a Boa Vista de hoje, mas, sim, uma área mais ampla, que compreendia inclusive o Teewald e São José do Herval, entre outras comunidades, tinha mais habitantes do que Sapiranga.

Para se ter uma ideia, a sede de São Leopoldo tinha 10 mil habitantes, aproximadamente. Novo Hamburgo, que só foi se emancipar cerca de duas décadas depois, tinha mais de 8 mil, ao passo que Bom Jardim (hoje, Ivoti) tinha mais de 7 mil e Dois Irmãos, ainda não tinha chegado a 7 mil habitantes.

 

MAIOR QUE SAPIRANGA

 

Curiosamente, Sapiranga tinha menos de 3 mil habitantes e Lomba Grande tinha cerca de 5 mil habitantes, mesmo número (aproximado) de Boa Vista do Herval. A matéria completa, em forma de artigo histórico de Sandro Blume, você poderá conferir nas próximas páginas.

 

Usina em construção no final da década de 1930. Fonte: Museu Laurindo Vier

Circula hoje o Especial de Aniversário de Santa Maria do Herval, confira parte do conteúdo publicado em reportagens e postagens no portal do Diário.

Para matar a saudade, confira o CADERNO DE 2025 (AQUI)

 

A parteira e escritora Anna Wagner nos primórdios do Teewald

 

*Por Sandro Blume

Na região do Teewald, Santa Maria do Herval nos dias de hoje, atuava a parteira Anna Wagner. Por ser letrada, foi também considerada a primeira escritora da localidade, com suas várias crônicas e registros históricos publicados no Familienfreund Kalender. Anna não tinha somente conhecimento de gramática e vocabulário. Ao sentir o mundo na pele e se deixar tocar pela realidade, ela conseguia descrever acontecimentos, ideias e pensamentos, sempre imprimindo a marca da sua sensibilidade.

Elena Eich, Leonora Wagner e Ana Wagner. Fonte: Museu municipal Laurindo Vier

Mas acima de tudo, Anna é lembrada pelas pessoas da região pelos diversos partos que realizou, principalmente em Boa Vista do Herval e nas localidades vizinhas. Nascida em 1891 e falecida em 1975, aos 84 anos, permaneceu solteira e não gerou filhos. Teve uma vida marcada pela intensidade em suas atividades e pelo amor ao próximo. Era muito requisitada e quase sempre ela resolvia tudo sozinha. Somente em casos mais complexos era necessário levar a parturiente para o hospital; mas só uma vez ou outra levaram.

Parteiras como Anna Wagner acionavam técnicas cujas funções práticas e simbólicas eram fundamentais para a saúde e qualidade de vida da gestante, bem como do recém nascido.

Além de ter sido uma referência na condição de parteira, pessoa bastante sensível e letrada, Anna Wagner também era uma pessoa que possuia profundo fervor religioso.

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