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Homem é condenado a 105 anos de prisão por matar companheira grávida no RS
Um homem de 34 anos foi condenado a 105 anos de reclusão, em regime fechado, pelo feminicídio da companheira grávida, de 33 anos, em Cruz Alta, no norte do Rio Grande do Sul. O julgamento ocorreu na terça-feira, 23 de junho, no Salão do Júri do Foro da cidade. O réu, Thiago Santos da Silva, confessou o crime durante o interrogatório em plenário. Cabe recurso da decisão.
O crime aconteceu em 10 de novembro de 2024. Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Jéssica Alf Pereira, que estava com seis semanas de gestação, foi morta dentro da casa onde o casal vivia. O corpo foi encontrado no banheiro da residência, com múltiplas lesões, principalmente no rosto e na cabeça.
Inicialmente, o acusado tentou despistar as investigações ao registrar o desaparecimento da companheira, alegando que ambos teriam sido atacados por outras pessoas. No entanto, durante o julgamento, confessou a autoria do crime.
JÚRI
O Conselho de Sentença acolheu integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público, reconhecendo que o feminicídio foi praticado em contexto de violência doméstica e familiar e por menosprezo à condição de mulher.
A pena foi elevada em razão de três causas de aumento: o crime foi cometido durante a gestação da vítima, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou sua defesa. Também foram consideradas agravantes como a reincidência, o motivo torpe e circunstâncias judiciais desfavoráveis. O réu já possuía duas condenações definitivas por ameaça e descumprimento de medidas protetivas de urgência e cumpria pena em regime semiaberto.
Segundo a promotora de Justiça Amanda Giovanaz, a atuação do Ministério Público buscou demonstrar a responsabilidade do acusado e afastar a versão inicialmente apresentada por ele. “A atuação da Promotoria buscou garantir a justa repressão a um ato brutal contra a vida de uma mulher e de um bebê em desenvolvimento”, afirmou.
A promotora também destacou que “a sentença fixou uma pena rigorosa que reflete as causas de aumento e as circunstâncias agravantes sustentadas, fazendo justiça à memória da vítima e à crueldade por ela sofrida”.
Durante o julgamento, foram ouvidas cinco testemunhas, sendo três de acusação e duas de defesa.
Jéssica deixou seis filhos, quatro deles menores de idade.
