Estado - País - Mundo
Justiça por Orelha: veja o que se sabe sobre cruel morte de cão em praia catarinense
Acompanhe o desdobramento do caso que chocou o Brasil todo
Por Mauri M.T.Dandel
Florianópolis – A morte do cão Orelha, também conhecido carinhosamente como Preto, transcendeu a dor local para se tornar um símbolo nacional da luta contra a impunidade em casos de maus-tratos.
O animal, que era uma figura onipresente e amada na Praia Brava, em Florianópolis, teve sua vida interrompida de forma brutal no dia 15 de janeiro. O caso não apenas mobilizou a Polícia Civil, mas também despertou uma indignação popular que tomou as ruas da capital catarinense.
Um detalhe que gerou polêmica foi a informação de que dois dos suspeitos embarcaram para uma viagem à Disney, em Orlando (EUA), logo após o início da repercussão do crime. Segundo as autoridades, a viagem já estava programada anteriormente e os jovens devem prestar depoimento assim que retornarem ao Brasil.
Detalhes sombrios
Orelha não era apenas um cão de rua; ele era um animal comunitário que vivia na região há quase dez anos, sendo alimentado e cuidado por uma rede formada por moradores, pescadores e comerciantes.
Sua rotina de tranquilidade foi quebrada por um ataque covarde perpetrado por um grupo de quatro adolescentes.
O ataque
O crime ocorreu mediante o uso de pauladas sucessivas, que deixaram o animal com ferimentos profundos e lacerações em diversas partes do corpo.
Moradores que conviviam com o cão compartilharam vídeos nas redes sociais mostrando o carinho que tinham por ele e o desespero ao encontrá-lo naquele estado. Devido à gravidade extrema das lesões e ao sofrimento irreversível do animal, os veterinários não tiveram alternativa senão submetê-lo ao sacrifício (eutanásia) no mesmo dia da agressão.
Outra tentativa: quem lembra do que ocorreu com Caramelo?
As investigações revelaram que o grupo de adolescentes não se limitou ao ataque contra Orelha. Outro cão da região, o Caramelo, também teria sido alvo de violência. Os jovens tentaram afogá-lo no mar, mas o animal conseguiu escapar e foi encontrado posteriormente em segurança. Em um gesto de solidariedade, o delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel, adotou Caramelo logo após o incidente.
O início das manifestações
A resposta da comunidade foi imediata e vigorosa. A morte de Orelha não foi aceita como “apenas mais um caso”, gerando uma mobilização que pressionou as autoridades desde as primeiras horas após o crime.
-
O Primeiro Protesto (17 de Janeiro): Apenas dois dias após a morte do cão, mais de 100 pessoas se reuniram na Praia Brava. O grupo caminhou em direção ao edifício onde supostamente residiriam os adolescentes envolvidos, exigindo justiça e a identificação dos culpados.
-
A Pressão Governamental: A repercussão foi tamanha que o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, cobrou publicamente providências da Polícia Civil. Em suas redes sociais, o governador afirmou que as provas do crime eram revoltantes e “embrulhavam o estômago”.
-
Mobilização Recente (24 de Janeiro): No último sábado, um novo protesto foi realizado no bairro. Os manifestantes reivindicaram respostas claras da investigação e uma legislação mais rígida para crimes cometidos por menores, além de protestarem contra a suposta coação que estaria ocorrendo para abafar o caso.
Coação e a viagem à Disney
A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão no dia 26 de janeiro, buscando não apenas provas do espancamento, mas também evidências de uma suposta coação.
De acordo com as autoridades, familiares adultos dos adolescentes teriam utilizado uma arma de fogo para ameaçar o porteiro de um condomínio, tentando impedir que informações sobre o crime chegassem à polícia. Três adultos estão sendo investigados por essa tentativa de obstrução de justiça.
Além disso, o delegado Ulisses Gabriel confirmou que dois dos adolescentes suspeitos embarcaram para um passeio na Disney, em Orlando, logo após o crime. Embora a viagem já estivesse planejada, o fato gerou ainda mais revolta entre os cuidadores do animal. O grupo deve retornar e prestar depoimento na próxima semana.
A Nova Lei de Proteção Animal em SC
Em meio ao luto pela perda de Orelha, Santa Catarina deu um passo importante na legislação. No dia 22 de janeiro, foi sancionada a Lei 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário.
A nova lei garante que animais como Orelha, que possuem cuidadores identificados na comunidade, não possam ser removidos ou sofrer restrições de movimento sem justificativa técnica. O autor do projeto, deputado Marcius Machado, destacou que a medida visa impedir que tragédias como essa fiquem sem o devido amparo legal de proteção ao habitat do animal.
Entenda como morreu o cão Orelha
Orelha, também chamado de Preto por alguns moradores, era um cão comunitário que vivia na Praia Brava há cerca de dez anos. Ele era cuidado por uma rede de comerciantes, pescadores e residentes locais.
No dia 15 de janeiro, o animal foi vítima de um espancamento severo. De acordo com as investigações, quatro adolescentes utilizaram pauladas para agredir o cachorro, causando ferimentos tão profundos que, após ser socorrido, o animal precisou passar pelo procedimento de eutanásia devido à gravidade irreversível de seu estado.
