Conecte-se conosco

Estado - País - Mundo

Maduro passa primeira noite preso em Nova York

04/01/2026 - 09h33min

Foto: Reprodução/ Casa Branca

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, passou a primeira noite detido sob custódia das autoridades dos Estados Unidos em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York. A prisão ocorreu menos de um dia após o chefe de Estado venezuelano ter sido capturado por forças norte-americanas durante uma operação militar realizada em Caracas.

De acordo com informações oficiais divulgadas pelo governo dos EUA, Maduro foi retirado da capital venezuelana ainda na madrugada de sábado (3), embarcando em um helicóptero militar norte-americano. Inicialmente, ele foi levado a um navio posicionado em local não divulgado no Mar do Caribe. Na sequência, foi transferido para a Base Naval dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo, em Cuba.

Após a passagem por Guantánamo, o presidente venezuelano seguiu viagem em um avião militar rumo aos Estados Unidos. A aeronave pousou no estado de Nova York, onde Maduro foi novamente transportado de helicóptero até a região de Manhattan e, posteriormente, conduzido ao Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn.

A operação envolveu um rigoroso esquema de segurança. Maduro desembarcou na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, no norte do estado de Nova York, a bordo de um Boeing 757 militar. Agentes de diferentes órgãos federais, como o FBI e a Agência Antidrogas dos EUA (DEA), acompanharam a chegada, que ocorreu sob temperaturas próximas de –2 °C.

Após passar por procedimentos de identificação em uma instalação ligada à DEA, Maduro foi oficialmente integrado ao sistema prisional federal. A Presidência dos Estados Unidos divulgou imagens da transferência, nas quais o venezuelano aparece vestindo uniforme azul com identificação da DEA de Nova York. Em um dos vídeos divulgados, ele é visto cumprimentando alguém e dizendo: “Boa noite, Feliz Ano Novo”.

Segundo as autoridades norte-americanas, Maduro deverá comparecer na próxima segunda-feira (5) perante um tribunal federal em Manhattan. O presidente venezuelano já havia sido denunciado em 2020 pelo Ministério Público do Distrito Sul de Nova York e, conforme informado neste sábado, novas acusações foram formalizadas. Entre os crimes atribuídos a ele estão narcoterrorismo, conspiração para o tráfico de cocaína aos Estados Unidos e violações relacionadas ao uso de armas automáticas.


Crise política se intensifica na Venezuela

A captura de Maduro gerou repercussões imediatas no cenário político da Venezuela. No sábado, o governo dos Estados Unidos anunciou ter realizado um “ataque em grande escala” no país e declarou a intenção de administrar a Venezuela de forma interina até a conclusão de um processo de transição política.

A declaração foi feita pelo presidente norte-americano, Donald Trump, poucas horas após a operação em Caracas. Em resposta, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) determinou que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assuma interinamente a chefia do Executivo.

Segundo a presidente do TSJ, Tania D’Amelio, Rodríguez ficará responsável por garantir a continuidade administrativa do Estado e pela defesa da soberania nacional. Com a decisão, ela se torna a primeira mulher a ocupar a Presidência da Venezuela. O tribunal não informou, no entanto, a data da posse oficial.

A posse do novo parlamento venezuelano, cujo mandato se estende até 2031 e é composto majoritariamente por aliados do governo deposto, está prevista para a próxima segunda-feira.

No cenário internacional, a resposta à ação norte-americana tem sido marcada por divergências. Enquanto alguns países condenaram a intervenção dos Estados Unidos, outros manifestaram apoio à saída de Maduro do poder. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou estar “profundamente preocupado” com a escalada de tensão e alertou para os impactos da operação militar na estabilidade regional.

Conteúdo EXCLUSIVO para assinantes

Faça sua assinatura digital e tenha acesso ilimitado ao site.