Estado - País - Mundo

Os distritos que formavam São Leopoldo, quando Novo Hamburgo era distrito como Boa Vista do Herval

12/05/2026 - 21h07min

No ano de 1935 a denominação do 8º Distrito passou a ser Padre Eterno e não mais Boa Vista

 

Por Sandro Blume

Em relatório de 1920, elaborado pela Intendência de São Leopoldo para o Governador Borges de Medeiros, encontramos quadro populacional onde constam números referentes a cada distrito do município.

Nessa época os distritos eram os seguintes:

POPULAÇÃO DE SÃO LEOPOLDO EM 1.920

1º Distrito (núcleo urbano e arredores)         10.680

2º Novo Hamburgo    8.520

3º Bom Jardim           7.450

4º Dois Irmãos           6.745

5º Sapiranga   2.856

6º Lomba Grande       5.130

7º Sapucaia     880

8º Boa Vista do Herval          5.240

 

Mapa mostra a extensão de São Leopoldo em 1922, quando era o segundo maior município do Estado em número de habitantes (Arq pessoal Mauri M.T.Dandel)

Circula hoje o Especial de Aniversário de Santa Maria do Herval, confira parte do conteúdo publicado em reportagens e postagens no portal do Diário.

Para matar a saudade, confira o CADERNO DE 2025 (AQUI)

Em 1935, distrito mudou de nome para Padre Eterno e em 1950 foi para Santa Maria do Herval

No referido relatório percebe-se que Boa Vista do Herval era sede do 8° Distrito de São Leopoldo. Na época esse distrito reunia todos os Padre Eternos, São José do Herval, Santa Maria do Herval, Renânia, além de outras localidades. Em 31de Outubro de 1912, a Câmara Municipal de São Leopoldo criou o 8º Distrito, com sede em Boa Vista do Herval e instalação da Sub-Prefeitura. No ano de 1935 a denominação do 8º Distrito passou a ser Padre Eterno. No entanto, a Sub-Prefeitura permaneceu ocupando as mesmas instalações em Boa Vista do Herval.

Passados alguns anos, na data de 01 de Março de 1950, a sede do 8º Distrito de São Leopoldo foi transferida para a atual sede do município, passando a denominar-se Santa Maria do Herval.

Início das obras no local onde foi construída a barragem. Fonte: Museu Laurindo Vier

 

A emancipação de Dois Irmãos

No ano de 1959, Dois Irmãos emancipou-se de São Leopoldo e o Herval passou a fazer parte do novo município, na condição de 3º Distrito de Dois Irmãos até o ano de 1988, quando aconteceu o movimento emancipacionista e Santa Maria do Herval também se torna município autônomo através do decreto de Lei N° 8634, de 12 de maio de 1988, assinado pelo então governador do Estado, Pedro Simon.

SÃO LEOPOLDO ERA GIGANTE

Se levarmos em consideração a densidade demográfica dos principais municípios do Rio Grande do Sul, encontraremos São Leopoldo ocupando a segunda posição no ano de 1917, atrás apenas de Porto Alegre. São Leopoldo tinha 34,4 habitantes por Km2, enquanto de Porto Alegre tinha 87,7 habitantes por Km2.

Tubulação da Usina ao lado da estrada. Acervo do Museu Laurindo Vier

POR CONTA DA USINA

Quando se emancipou, Novo Hamburgo queria o Teewald

Emancipado em 1927, Novo Hamburgo precisava de energia elétrica por conta do calçado

 

Novo Hamburgo era uma localidade que se transformou em município no ano de 1927. Na época já era um pólo industrial promissor e respirava os ares da modernidade. Em diversos momentos, o jornal 5 de Abril apresenta a incorporação desta idéia a partir das mais variadas modificações que a cidade presenciou. As transformações técnicas e científicas são constantemente sublinhadas nas matérias jornalísticas:

O extraordinário progresso verificado de certo tempo a esta data, em quase todos os pontos do Universo, tem por base, positivamente, essa incomparável descoberta do engenho humano – a eletricidade. […] E não há dúvida, a eletricidade é um fator imprescindível para a marcha progressiva de qualquer lugar onde o homem queira trabalhar e construir. (O 5 de Abril de 02/09/27, p.1).

ENERGIA ELÉTRICA

Considerado um fator imprescindível para se alcançar o progresso, a energia elétrica faz parte do cotidiano de uma cidade que busca se equiparar aos grandes centros.

Nesse contexto de necessidade de energia elétrica, se insere o Teewald (Santa Maria do Herval). Quando Novo Hamburgo se emancipou de São Leopoldo, queria muito ficar com a região de Dois Irmãos, pois ali estava o Teewald com sua cascata estratégica, que poderia dar a sustentação energética tão necessária às indústrias calçadistas.

ENGENHEIRO DA ÁUSTRIA

A importante cascata do Teewald foi visitada pelo engenheiro austríaco Ignácio Plangg por volta de 1930, confirmando seu potencial. O objetivo era salvar a industria de Novo Hamburgo. Dessa forma surge a Energia Elétrica Hamburguesa (também referida historicamente como Sociedade Energia Elétrica Hamburguesa Limitada), uma empresa de energia elétrica que operou no município de Novo Hamburgo em meados do século XX, fundada pelo atento e renomado empresário Pedro Adams Filho.

Visitação dos engenheiros antes do início das obras barragem e usina. Acervo do Museu Prof. Laurindo Vier

 

A rica história da construção da Usina Hidrelétrica do Teewald

Em apenas 4 anos a usina foi construída, entre 1937 e 1941

Construída entre 1937 e 1941 e inaugurada em 19 de maio de 1941, a Usina Hidrelétrica  de Santa Maria do Herval, foi crucial para o desenvolvimento industrial do Vale dos Sinos. Situada no Rio Cadeia, a usina de 1.4 MW utiliza a queda da Cascata do Herval.

A obra, projetada para aproveitar a força da Cascata do Herval, envolveu a construção de uma barragem e um complexo sistema de tubulações na encosta do precipício para levar água até a Casa de Máquinas, representando um grande desafio de engenharia para a época. A tubulação, as máquinas e o transformador foram importados da Alemanha. Outro exemplo de grande esforço foi a areia usada na construção da barragem. De Porto Alegre até Sapiranga vinha de trem. Dalí seguia em lombos de mulas até o Herval, percorrendo caminhos bastante precários.

 

A CHEGADA DA LUZ

O investimento prosperou e em 1941 de fato Novo Hamburgo passou a ter suas residências bem mais iluminadas.

Entretanto a eletrificação de Santa Maria do Herval tardaria ainda 40 anos, apesar de ter nas proximidades essa grande obra da engenharia. A partir de 1978, depois de instalados postes e transformadores, energia elétrica que vinha da subestação Scharlau em São Leopoldo, chegou aos lares hervalenses, como consta no livro de Márcio André Blume: “Teewald – Da terra prometida à conquista do progresso”.

Transporte da tubulação da estação Sapiranga até o Teewald. Fonte Museu Laurindo Vier

Transporte do transformador para a Usina. Fonte: Museu Laurindo Vier

 

 

 

Sair da versão mobile