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PF investiga supostas fraudes no banco Digimais, de Edir Macedo, e bloqueia R$ 670 milhões

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira, dia 23, a Operação Miragem, que investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo o banco Digimais. A ação tem como objetivo apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e cumpre nove mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Federal de São Paulo.
Além das buscas, a decisão judicial determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, bem como o bloqueio e sequestro de bens e valores que podem chegar a R$ 670,3 milhões.
Entre os investigados está o empresário e líder religioso Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e controlador da instituição financeira. Até o momento, o banco não havia se manifestado oficialmente sobre a operação.
De acordo com informações obtidas durante a investigação, relatórios produzidos pelo Banco Central apontaram indícios de irregularidades na administração do Digimais. As apurações indicam que a instituição teria realizado manobras contábeis para esconder sua real situação financeira.
Segundo a investigação, carteiras de financiamentos com elevados índices de inadimplência teriam sido retiradas das demonstrações financeiras do banco. Também são analisadas operações envolvendo a venda de precatórios para uma holding ligada ao grupo controlador, transações que despertaram preocupação entre auditores responsáveis pela fiscalização.
Histórico da instituição
O Digimais é uma instituição financeira que atua principalmente no segmento de financiamento de veículos. Até 2020, operava sob o nome de Banco Renner, denominação herdada da família fundadora das Lojas Renner. Naquele ano, após a aquisição do controle por Edir Macedo, a instituição passou a utilizar a marca atual.
O banco tem foco em financiamentos considerados de maior risco pelo mercado, incluindo veículos mais antigos e clientes com histórico de restrições financeiras. Em contrapartida, costuma praticar taxas de juros superiores às observadas em instituições tradicionais.
Dados do Banco Central apontavam que, em dezembro de 2025, o Digimais figurava entre as instituições com as maiores taxas de juros do país para financiamentos, cobrando em média 2,97% ao mês e 41,07% ao ano.
Embora o financiamento de veículos tenha representado quase a totalidade das operações da instituição em anos anteriores, essa participação vem diminuindo gradualmente. Conforme informações apresentadas ao Banco Central, a modalidade atualmente responde por cerca de 52% da carteira de crédito do banco.